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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 57

"José Miguel"

Eu passei um domingo muito tranquilo e divertido com o Matheus e a Candinha. Depois do almoço nós voltamos pra casa e o Matheus convenceu a Candinha a fazer bolo de cenoura com cobertura de chocolate, como ela fazia quando éramos crianças e ele passava o dia na minha casa. Ela exigiu a nossa ajuda, mas acho que no final ela se arrependeu, porque o Matheus só tinha tamanho e mais brincou com a farinha do que ajudou. No final a cozinha parecia uma praça de guerra. E só depois que nós ajudamos a limpar a cozinha nós nos sentamos para jogar cartas pelo resto do dia.

- Foi um bom dia pra você, Rossi? - O Matheus me perguntou antes que eu entrasse no meu quarto no fim da noite e eu pensei por um momento.

- Foi um dos melhores em muito tempo.

- Um dos melhores? E qual foi o melhor? - Ele caminhou em minha direção e se encostou na parede ao lado da porta me encarando.

- O melhor... - eu fechei os olhos e sorri - ... o melhor foi o dia em que eu acordei com a Eva e ela passou a manhã comigo!

- Ah, que bonitinho! Meu amiguinho está apaixonadinho! - Ele riu e eu estreitei os olhos para ele, mas estava rindo também.

- Eu não estava preparado pra isso, Matheus. Fico pensando se por algum milagre ou alguma intervenção divina, sei lá, eu fui perdoado e estou tendo uma segunda chance. Mas por outro lado, eu tenho medo de ser só mais um castigo, que eu sinta o cheiro da felicidade e perca tudo de novo.

- Ai, José Miguel! Parece criança! Mais um castigo? Não seja idiota! O que você fez de errado na vida para ser castigado? Você sempre foi esse chatinho certinho, o bom e nobre José Miguel, que tem os melhores sentimentos da humanidade, que namorava uma moça de cada vez, sempre levando tudo muito a sério, nem sei como engravidou a morta antes de casar, aliás, antes de namorar com ela, né?!

Eu o encarei, ele sabia bem como tudo tinha acontecido e sabia que engravidar a Cora foi uma indiscrição da minha parte e que aconteceu num momento muito difícil, eu tinha acabado de perder a minha mãe e o meu pai tinha falecido um ano antes, eu estava num momento ruim, a Cora se fez presente e eu me deixei levar... assim como eu estava me deixando levar com a Eva, mas pela Eva eu me apaixonei e só pensava nela, nunca tinha sido assim com a Cora. O Matheus ficou sério, como se lesse meus pensamentos.

- Olha, Rossi, se quer a minha opinião, a Eva não é a sua segunda chance, porque você nem teve a primeira. A Eva é a sua chance de sair dessa morte em vida e ser feliz! Pronto, falei!

- Você acha mesmo? - Eu o encarei incerto.

- Eu tenho certeza! E você deveria ter ligado pra ela, mandado flores, ido vê-la, qualquer coisa, mas você precisa mostrar pra ela que você é o cara. E se tivesse feito isso eu teria visto aquela peste!

- Meu Deus, está falando de mim, mas também está apaixonadinho, hein, Matheus?! Pela primeira vez na vida o cachorrão foi adestrado! Eu vivi pra ver isso! - Eu comecei a rir.

- Ih, nada a ver, Rossi! Meu lance com a peste é outro, ela aprontou comigo e eu vou dar o troco, só isso. E ela me quer que eu sei, mas está fazendo doce. Pois eu vou fazer a peste me agarrar e se lambuzar nesse doção aqui! - Ele deu uma voltinha fazendo graça.

- Ah, tá bom, carrapato, vai se enganando que daqui a pouco eu te vejo ajoelhado segurando uma aliança na frente da peste!

- Aliás, falando em aliança, me entrega!

- Matheus...

- Desapega, Rossi! Se livra da morta, a Evita não merece carregar esse fantasma!

Eu bufei e entrei no quarto, abri a gaveta do meu criado mudo, peguei a caixinha de veludo, dei uma última olhada e a coloquei na mão do Matheus.

- As fotos também! - Ele apontou para as duas fotos no fundo da gaveta, uma da Cora e outra do último ultrassom. - Anda, Rossi, você já tatuou a lembrança dos seus filhos na sua pele, você não precisa disso.

Eu pensei por um momento e talvez eu precisasse mesmo deixar ir.

- Quer saber, você tem razão, eu já queimei todas as outras mesmo! - Eu peguei as fotos e entreguei a ele.

- Bom garoto! Assim que eu gosto! - Ele deu dois tapinhas na minha cabeça e se virou para sair. - Boa noite, Rossi, sonha com a Evita, quer dizer com um anjo... - Ele riu. - Ah, dá no mesmo! - Ele saiu e fechou a porta.

- Eu sou tapado? Você se esgueira para o meu quarto e fica aí no canto igual a uma assombração e eu que sou tapado? - Eu levei a mão ao peito.

- Imagina se fosse a renascida do inferno sentada aqui! - Ele não parava de rir. - Eu sou bem real, meu amigo, eu vim porque ouvi seus gritos. Mas acho que a gente poderia trazer um padre para exorcizar as assombrações dessa casa. Cara você precisa se livrar desses pesadelos. Toda noite a mesma coisa!

- Era toda noite a mesma coisa! - Eu me levantei. - Hoje foi diferente.

- É, percebi que hoje teve Evita na sessão "a hora do pesadelo"! - Ele secou as lágrimas do riso que finalmente cessava. - Vai, me conta!

- Eu sonhei que perdia a Eva! - Eu contei ao Matheus rapidamente sobre o pesadelo que eu tive. - Cara, essa mulher está sob a minha pele!

- Sob a pele só? É muito mais que isso! - Ele se levantou. - Vou me trocar para irmos correr, te encontro na cozinha!

- Ah, hoje não dá! Eu tenho um compromisso às oito. - Eu me lembrei da minha consulta com o Nelson.

- Então eu te encontro na cozinha pra um café daqui uma hora. - O Matheus saiu do meu quarto.

Depois do café e que o Matheus contou para a Candinha em detalhes o meu pesadelo, eu saí de casa para ir ao Santè. Eu sentei na sala de espera que refletia a mesma calma do Nelson. Enquanto aguardava ser chamado, eu repassava em minha mente tudo o que eu queria conversar com ele, sobre o acidente, sobre a Eva, sobre os pesadelos, sobre o que fazer com a Eva. Era tanta coisa, eu deveria ter marcado uma sessão dupla!

- José Miguel, bom dia! - O Nelson saiu de dentro do consultório e caminhou em minha direção me oferecendo um aperto de mão. - Como você está?

- Bem! - Eu sorri. - Estou pronto para começar e um pouco ansioso.

- Eu diria que você está pronto para continuar, de algum modo nós já começamos! - Ele tinha toda razão, nós já havíamos começado.

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