"José Miguel"
Eu busquei a Eva em casa e pretendia fazer isso todos os dias, eu queria passar cada minuto do meu tempo com ela, mas eu também precisava trabalhar e depois de uma sessão de beijos de bom dia na sala dela eu fui para uma reunião de diretoria que se estendeu até o meio da tarde.
- Rossi, sei que você é bastante reservado, mas eu posso fazer uma pergunta? - O diretor de operações me perguntou ao final da reunião que tinha sido longa demais e, metade dela, desnecessária.
- Pode perguntar o que você quiser, Brandão, se eu vou responder eu não sei. - Eu terminei uma anotação no meu bloco de notas e o encarei.
O Brandão já estava na casa dos quarenta e cinco anos, cabelos grisalhos, olhos azuis, alto, magro, uma figura apresentável que à primeira vista parecia muito sério e era competente no trabalho. Mas ele era metido a conquistador e tinha fama de já ter partido muitos corações na empresa, porque, ao contrário do Matheus que era claro com as mulheres com as quais se envolvia, o Brandão iludia as mulheres e quando se cansava as descartava.
- Sua nova assistente, a Eva, é solteira? Eu estava pensando em convidá-la para jantar um dia desses. - Ele perguntou assim, direto, deixando clara as suas intenções que eu já havia percebido.
- Não, Brandão, a Srta. Sanchez é comprometida e eu quero você longe dela! - Eu o encarei irritado.
- Calma! Eu só pensei em ser gentil. - Ele sorriu, um sorrisinho cafajeste que eu tive vontade de tirar da cara dele. - Falando assim até parece... - Ele deu uma risadinha e eu achei que ele ia fazer algum comentário engraçadinho que eu nem quis ouvir.
- Olha só, Brandão, ela é minha assessora e é muito competente. Eu conheço a sua fama, sei o que você faz com as mulheres e quero você bem longe da Srta. Sanchez. Eu não vou perder a minha assessora por sua causa e se você insistir em se aproximar dela eu vou fazer uma reclamação formal e direta ao Martinez. Fui claro? - Eu avisei irritado.
- Claríssimo! Não precisa ser tão sensível! - Ele me provocou e eu precisei respirar fundo para não pegá-lo pelo colarinho.
- Fique longe do meu andar, se precisar de alguma coisa ligue e fale com a Sara, se precisar enviar alguma coisa faça por meio do mensageiro, seu departamento tem um para lhe poupar o trabalho. - Eu avisei peguei as minhas coisas e deixei a sala de reuniões.
Eu voltei para o meu andar bufando de raiva. Quem o Brandão pensava que era? Eu precisava alertar a Eva outra vez, agora que o Brandão já tinha deixado suas intenções bem claras. Eu a encontrei na sala dela rindo com o Enzo e parei na porta para observar a Eva rindo.
- Sério, Evita, foi desse jeito que o meu tio conquistou a tia Sam. - O Enzo falou enquanto ria com a Eva.
- E eu pensei que só o Sr. Perfeito ali tinha cantadinhas ridículas! - A Eva olhou diretamente para mim e eu entrei na sala.
- Você gosta das minhas cantadinhas ridículas. - Eu sorri e me abaixei para dar um selinho nela. - Que bom que você está aqui, Enzo. - Eu me sentei ao lado dele em frente a Eva. - Quero que você tire o Brandão do pé da Eva.
- Eu já avisei para ele que ela tem namorado, mas não sei se ele vai ficar longe, essa mulher é maravilhosa, Perfeito. - O Enzo se virou para mim e eu sorri.
- Ela é mesmo! Sorte a minha! - Eu abri um sorriso.
- Mas eu não tenho namorado! - A Eva me olhou com um sorrisinho atrevido.
- Ih, Perfeito, acho que você precisa situar essa mulher. - O Enzo sugeriu.
- Ah, eu vou dar uma boa situada nela mais tarde! - Eu olhei para a Eva cheio de promessas. - Enzo, faz com o Brandão do mesmo jeito que você fez com aquela insuportável do recursos humanos.
- O que eu falei pra ela, se eu falar para o Brandão, vai é deixá-lo mais interessado com as possibilidades. Não rola, Perfeito!
- O que você falou para aquela mulher? - Eu olhei o Enzo com curiosidade.
- Quer saber, te conto, quando você assumir a Evita aí na frente de todo mundo. Antes disso, eu continuo fazendo segredo dos meus métodos pouco ortodoxos e infalíveis. - O Enzo riu. - Vai dar o que falar quando você assumir a Evita!

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