"José Miguel"
Eu ainda estava querendo entender o que aconteceu entre o Matheus e a Gabriele na noite anterior, mas eu também queria buscar a Eva em casa. Então eu acordei cedo e as seis da manhã eu entrei no quarto que o Matheus estava ocupando em minha casa e abri as cortinas.
- Cachorrão! - Eu chamei alto e ele deu um pulo da cama.
- Pesadelo! Rossi! De novo! - Ele se apressou até a porta e eu comecei a rir, então ele se virou. - Porra, Rossi!
- Bom dia, Cachorrão! Informo que tive outra noite livre de pesadelos. - Eu estava sorrindo, talvez esse sorriso não fosse mais deixar o meu rosto.
- Efeito Evita! Essa mulher faz milagres! - Ele riu e conferiu o relógio. - Não vou correr, vou dormir mais um pouco.
- Não vai dormir, vai descer e tomar café comigo, quero saber o que foi aquilo ontem com a Gabi.
- Não sei se posso te contar. - Ele coçou a cabeça e me olhou sem graça.
- E por que você não pode me contar?
- Porque a Evita não sabe e você teria que guardar segredo. Mas eu preciso te contar, você é o meu melhor amigo.
- Merda! Agora você pode me contar, já falou mesmo que a amiga esconde alguma coisa dela e eu não posso contá-la sobre isso. Agora conta a fofoca inteira!
Eu já tinha muita coisa que deveria contar a Eva e estava com receio de contar porque eu não sabia se ela entenderia e a última coisa que eu precisava era saber de algo sobre a amiga dela que eu não poderia contar.
- Te espero na cozinha para o café! - Eu avisei e saí do quarto.
Vinte minutos depois o Matheus apareceu na cozinha, se sentou ao meu lado e começou a falar. Aquilo era uma grande bagunça e eu sabia que a Eva havia ficado desconfiada, ela com certeza perguntaria a amiga e com certeza me perguntaria o que o meu amigo havia me contado.
- E agora eu estou no meio da bagunça de vocês. Como se não bastassem todos os problemas que eu já tenho. - Eu bufei. - E agora?
- Agora, Rossi, eu não sei! - O Matheus respondeu e tirou o celular do bolso, virando a tela pra mim e colocando o aparelho sobre o balcão para atender no viva voz.
- Carrapato, me diz que você não contou nada para o Rossi. - A voz da Gabriele soou no telefone e ele deu uma risada.
- Amigos contam as coisas, Gabriele! - Eu falei mal humorado. Como eu ia encarar a Eva e esconder isso dela sabendo que ela estava curiosa?
- Rossi, você tem irmãos? - Ela perguntou.
- Sim! Meu melhor amigo é meu irmão, não de sangue, mas de coração! Você não se sente assim em relação a Eva? - Eu perguntei e ela soltou um suspiro.
- Sim, Rossi, mas aquela família já passou por coisa demais para que eu os faça brigar entre si! - Ela respondeu.
- O problema com o pai é tão ruim assim? - Eu perguntei porque não sabia muito, além do que a imprensa revelava, eu sabia que a Eva odiava o pai e que ele odiava e sempre prejudicou os filhos.
- É muito ruim, mas não sou eu quem vai te contar, porque é a história dela. - Ela estalou a língua. - Olha, Rossi, eu conheço a Eva, ela esfolaria o irmão por minha causa e ele é um merda, acredite eu adoraria vê-lo esfolado, mas ele ama a irmã e ela o ama, não sou eu quem vai arruinar isso, a Eva precisa de pessoas na vida dela e não fora da vida dela, o pai, antes de ser preso, conseguiu tirar muita coisa dela e ela não merecia!


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