"Eva"
Foi uma delícia de surpresa o José Miguel aparecer e me beijar daquele jeito, mas havia muito mais naquele beijo do que parecia. E quando o beijo terminou ele se manteve abraçado a mim, como se tivesse medo de me soltar. Não que eu estivesse reclamando, mas era perceptível a tensão dele. Algo o preocupava.
- A reunião foi tão ruim assim? - Eu perguntei beixinho enquanto ele ainda me mantinha em seu abraço.
- Foi uma perda de tempo! - Ele resmungou.
- Já o nosso dia foi muito produtivo, não foi, Evita? - O Matheus riu no canto da sala, onde tinha um pequeno sofá e uma mesinha de centro que ele fez de local de trabalho.
- Ele não sai mais daqui? - O José Miguel perguntou e eu ri.
- Chegou de manhã. - Eu contei e o José Miguel franziu as sobrancelhas.
- Você não tem um escritório, Cachorrão? - O José Miguel se aproximou dele.
- É, mas eu precisava falar com você. Só que acabei provocando a Peste, almoçando com a Evita e encontrando o trabalhinho extra de vocês, que eu achei muito interessante e estou me perguntando como você ainda não viu isso? - O Matheus colocou um dos livros da farmacêutica sobre a mesinha e apontou alguma coisa.
O Matheus havia passado a tarde inteira olhando os documentos da farmacêutica nos quais o José Miguel e eu deveríamos ter trabalhado na noite anterior, mas nos distraímos.
- Como eu não vi o quê? - O José Miguel se aproximou e olhou o que o Matheus apontava.
- São movimentos idênticos, repetidos sempre no mesmo intervalo de tempo e com as mesmas informações. São pagamentos vultosos para a mesma empresa. - O Matheus explicou.
- Sim, uma empresa de insumos farmacêuticos. Pelo que vi nos livros da farmacêutica é um fornecedor de longa data. - O José Miguel olhou o livro com atenção e voltou a página. - Espera! - Ele olhou algumas páginas do livro. - Olha aqui, mais três empresas com o mesmo padrão e se você soma os valores transferidos para elas ao longo do mesmo mês sempre vai dar o mesmo total.
- Off-shores! Não é um sistema muito inteligente, geralmente as transferências são feitas em cascata e não saneadas assim. Vou pedir na financeira para rastrear essas empresas e nós precisamos verificar se existem outras. - O Matheus sugeriu.
- Nós vamos? - Eu olhei para os dois, que pareciam muito em sintonia verificando os livros.
- Ah, nós vamos, Evita, vocês não vão me tirar dessa brincadeira. Além do mais, vocês dois ficam só de namorinho e perdem o que importa. - O Matheus resolveu. - Então, na minha casa ou no escritório?
- Na minha casa, Cachorrão! Já que você vai, vou chamar a Gabi para nos ajudar, um par a mais de mãos não faz mal. - Eu comentei e o sorriso do Matheus ficou ainda maior.
- Aí eu vi vantagem! - O Matheus parecia ter ganhado o passe para uma caça ao tesouro.
Naquele dia, nós nos reunimos na minha casa. Como havia acontecido no início da semana, a minha mãe preparou o jantar, mas os meus irmãos não apareceram. No restante da semana, a Gabriele me convenceu a levar tudo para a casa dela e nós começamos a trabalhar lá. Nós trabalhávamos até tarde e eu estava grata por ter tido ajuda com aquilo tudo. O Matheus conseguiu um relatório completo sobre cada empresa de fachada e todas levavam a uma mesma conta bancária em um paraíso fiscal. No fim da tarde de sábado nós concluímos a revisão dos documentos da farmacêutica e tínhamos um relatório pronto.
- Eu estou morta! - Eu me joguei no sofá da Gabriele depois de colocar o último livro na caixa para devolver ao Bóris. - Obrigada por terem me ajudado, eu não teria conseguido sem vocês.
- Amigos são pra isso, Evita! E foi bastante divertido. - O Matheus puxou a Gabriele para o colo dele.
- Me solta, Carrapato! - Ela tentou se debater, mas ele deu um beijo nela.
- Isso vai ser divertido!
Nós passamos quase três horas na farmacêutica explicando ao Bóris tudo o que tínhamos encontrado e quando saímos de lá eu só queria tomar um banho e cair na cama e o José Miguel também parecia cansado.
- Você quer muito ir ao bar? - Eu perguntei quando saímos da farmacêutica.
- A única coisa que eu quero muito é ficar com você, amorzinho. - Ele sorriu. - O que você acha de ir comigo para o apart, a gente pede algo pra comer, passa a noite juntinho, namora bastante e amanhã eu te levo para casa e almoçamos com a sua família?
- Você está sugerindo faltar ao encontro com os nossos amigos? - Eu estreitei os olhos para ele. - Eu vou adorar. - Ele riu e me deu um beijo.
Nós passamos a noite de sábado juntos, exatamente como ele prometeu e no dia seguinte fomos para o almoço em família. Era tão confortável estar com ele, tão fácil, sem montanhas russas emocionais, apenas um relacionamento normal que parecia estar começando a ter uma rotina confortável. Ele me pagava em casa todos os dias pela manhã e me levava de volta depois do trabalho, alguns dias da semana nós dormimos juntos e ele passou o final de semana inteiro comigo.
Mas a medida que o final de semana ia chegando ao fim, ele parecia ir ficando mais tenso, como se estivesse esperando que algo muito estressante acontecesse na segunda feira. Ele tentou disfarçar, mas a preocupação dele parecia estampada em seu rosto. Nós ainda tínhamos uma conversa pendente também, mas ao longo da semana pareceu sempre acontecer algo e a conversa que ele queria ter comigo foi ficando para depois. Eu pensei que talvez fosse isso que o incomodasse e resolvi tocar no assunto no domingo a noite quando chegamos ao apart.
- Paixão, nós temos uma conversa pendente, não é? - Eu o encarei e ele me puxou para um abraço dando um longo suspiro.
- Temos sim. E é importante. Mas eu estou cansado e a única coisa que quero é aproveitar um tempo com você. O que você acha de termos essa conversa amanhã? - Ele me deu um beijo e eu não via motivo para recusar, eu também queria ter meu tempo com ele.
- Amanhã! - Eu o abracei pelo pescoço e ele me tirou do chão, me levando para a cama, enquanto me dava um beijo que me fez esquecer o resto do mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...