"Eva"
Eu não sei quanto tempo fiquei ali apenas olhando para a mesa, me sentindo uma qualquer e deixando as lágrimas caírem. Estava doendo na minha alma ter sido enganada assim.
- Eva! Eva, querida, o que aconteceu? - Eu senti uma mão quente sobre a minha e me virei para ver o Julio abaixado ao meu lado.
- Me ajuda a sair daqui. - Eu pedi sem conseguir sentir nada que não fosse dor me rasgando ao meio.
- Vem, se apóia em mim. - O Julio me ajudou a me levantar. - O que aconteceu? Eu precisei me ausentar da portaria e quando voltei você estava sentada aqui sozinha e eu fiquei preocupado porque eu te observei aqui por vários minutos e você parecia congelada, então eu vim ver se estava tudo bem.
- Eu não posso falar sobre isso agora, só... me ajuda a sair daqui. - Eu pedi sentindo frio e uma vontade de gritar de tanta dor.
- Vamos!
O Julio me levou de volta para o prédio e foi comigo até a minha sala. Ele me colocou sentada na minha cadeira. Eu não sabia que fazer, eu não sabia o que pensar. Aquela mulher poderia estar mentindo, mas ela me mostrou a certidão, a foto, o exame... e tudo o que ela disse fazia sentido.
- Eu acho melhor chamar o Rossi. Onde ele foi? - O Julio estava me olhando com total preocupação.
- Não! Não precisa chamar o Rossi. Eu vou ficar bem! - Eu respondi depressa.
- Evita, vocês... - O Enzo entrou em minha sala e observou o Julio abaixado ao meu lado. - Julio? Está tudo bem? Você está pálida, Evita!
- Ela não está bem, Enzo, e eu não sei onde está o Rossi. - O Julio respondeu.
- Ele foi pra casa! - Eu respondi, meus olhos mirando o vazio. De alguma forma eu consegui me recuperar o suficiente para tomar uma decisão. - Eu não estou me sentindo muito bem, eu também vou pra casa. - Eu me levantei e peguei a minha bolsa.
- Vamos, Evita, eu te levo. - O Enzo me ofereceu a mão.
- Você não vai me fazer perguntas? - Eu perguntei, porque eu não tinha condições de responder nada, a minha cabeça estava uma bagunça.
- Não, querida, eu apenas vou me certificar de que você chegará bem em casa. - O Enzo sorriu e eu coloquei a minha mão na dele. - Obrigado, Julio, eu cuido dela agora. Depois te dou notícias.
- Por favor, me deixa saber que ela está bem. Vou acompanhar vocês até o estacionamento. - O Julio me apoiou de um lado e o Enzo de outro até chegarmos ao carro.
- Evita, qual o endereço? - O Enzo perguntou quando se sentou ao meu lado.
- Na verdade, será que você pode me levar para a casa da Gabi? Eu tenho a chave reserva dela. - Eu pedi.
- Claro! Quer que eu a avise que você precisa dela? - Ele perguntou com a delicadeza e a perspicácia que me impressionava que ele tivesse.
- Não, não quero preocupá-la, ela está no trabalho e o chefe dela é impossível.
- Então vamos, mas eu vou ficar com você até a Gabizinha chegar. Coloca o endereço no GPS. - Ele apontou a tela e eu digitei com dedos trêmulos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe