"Jose Miguel"
Quando eu ouvi a Candinha ao telefone, nervosa, me dizendo que a Carmem tinha saído de casa sozinha, como se tivesse fugido para aprontar alguma coisa, eu fiquei preocupado. Eu precisava conversar com a Eva, mas eu precisava parar a Carmem, qualquer que fosse o plano dela. Eu não precisava de mais um problema, por isso eu corri para casa.
Eu até procurei pelo Julio, queria que ele ficasse de olho na Eva e não permitisse que a Carmem se aproximasse dela, mas ele não estava na portaria. Eu tentei falar com o Enzo, mas ele não atendeu ao celular, talvez fosse o único jovem no mundo que não ficava grudado no telefone o tempo todo. Eu deixei uma mensagem para ele me ligar e achei que era melhor a Eva estar no café do que a Carmem encontrá-la na empresa se ela estivesse a caminho de lá.
- Como isso aconteceu, Candinha? - Eu perguntei assim que entrei em casa e vi o nervosismo da Berta e da Candinha.
- Eu fui até a rouparia pegar a roupa de cama, porque ela cirmou que queria que eu trocasse os lençóis na cama dela. E a Berta veio até a cozinha preparar um chá que ela havia pedido. Nós a deixamos no quarto, sentada naquela poltrona dela, ela disse que estava cansada e ela estava muito irritada por perceber que você tirou todas as coisas da filha dela de casa. - A Candinha começou a falar nervosamente.
- Foi uma coisa de dois minutinhos e a Candinha chegou correndo na cozinha dizendo que a D. Carmem tinha saído de carro. Fou culpa minha, eu não podia tê-la deixcado sozinha. - A Berta parecia se sentir culpada mesmo.
- E agora só Deus sabe o que ela vai aprontar! E se ela resolver jogar o carro de uma ponte, tentar se matar outra vez? - Eu esfreguei o rosto.
- Essa sorte a gente não tem! - A Candinha resmungou.
- Candinha! Isso é sério! - Eu reclamei. - Eu vou tentar ligar para ela. - Eu fiz a chamada e foi direto para a caixa postal. - Está desligado. Onde ela pode ter ido?
- Eu já liguei para o Dr. Mauro, para o padre e para aquelas beatas amigas dela, pedi para me ligarem se souberem de alguma coisa. - A Candinha respondeu. - O médico disse que vai atender mais alguns pacientes e virá para cá.
- Então ela foi para a Lince! - Eu senti como se o sangue fosse drenado do meu corpo. Eu precisava evitar o encontro dela com a Eva.
- Ela pode ter ido atrás do Matheus. - A Candinha soltou e eu a encarei confuso.
- O que a Carmem ia fazer atrás do Matheus? - Eu encarei a Candinha esperando a resposta.
- Ela cismou que ele esteve aqui e que ele fez a sua cabeça para se desfazer das coisas da filha dela. - A Candinha respondeu de cabeça beixa. - Ah, pronto! Se ela descobre que o Matheus esteve aqui esses dias, meu inferno estará completo.
- É claro que eu neguei tudo! Disse que era coisa da cabeça dela. Mas você sabe como ela é. - A Candinha deu de ombros e a essa altura eu estava torcendo para que a Carmem estivesse na Bittencourt gritando com o Matheus.
Eu peguei o meu telefone e enviei uma mensagem para ele, que me respondeu imediatamente dizendo que ela não tinha aparecido por lá e que se fosse ele ia se divertir com ela. O Matheus parecia criança, ia provocar a Carmem até ela surtar.
Eu precisava fazer alguma coisa e me antecipar a catástrofe. Então liguei para o Julio. Ele sabia de tudo naquela empresa e ter o telefone dele já tinha me ajudado muitas vezes.
- Rossi, que bom que você ligou. Aconteceu alguma coisa com a Eva. - O Julio falou assim que atendeu o telefone.
- Aquela mulher esteve com ela? - O Julio sabia de quem eu falava, embora ele não soubesse quem era a Carmem na minha vida, ele sabia que eu a evitava e sempre me avisava quando ela chegava na empresa.
- Não sei. Eu precisei me ausentar da portaria, quando voltei ele estava sozinha no café. Era como se ela estivesse congelada lá. Eu a busquei e trouxe para o escritório, mas ela não está bem e o Enzo a levou para casa.
As palavras do Julio caíam como lâminas sobre mim, eu tinha certeza que não tinha conseguido evitar o estrago.

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