"Eva"
Eu observei a casa a minha frente enquanto o camminhávamos até a porta. Era uma construção antiga de dois pavimentos, mas não era charmosa, talvez fosse aquele marrom escuro pesado nas paredes que deixasse a casa com um aspecto estranho, até negativo. Uma cobertura se estendia sobre a porta da frente e em cima era um pequeno terraço. Eu notei todas as portas e janelas com as treliças fechadas e, apesar de tudo parecer limpo e bem cuidado, o lugar me dava calafrios.
- Pronta! - Ele apertou de leve a minha mão e eu fiz que sim.
Ele abriu a porta e me puxou para dentro, meu choque foi instantâneo, porque aquelas paredes verde escuro combinadas com as cortinas escuras e os móveis pesados eram chocantes demais. Minha boca se abriu em descrença. Aquilo não era nada parecido com ele e eu me perguntei como ele vivia naquela casa abafada e de atmosfera opressora.
- Eu te avisei que eu apenas morava aqui. - Ele sussurrou no meu ouvido e uma voz que eu já conhecia veio do interios da casa, me tirando do meu estado de choque.
- José Miguel? José Miguel! Finalmente você parou com a pirraça e voltou pra casa, já se deu conta de... - A cobra de aplique parou no meio da sala e me encarou, sua expressão se fechando em uma carranca, como se ela estivesse se transformando em um demônio. - O QUE ESSA MULHERZINHA VULGAR ESTÁ FAZENDO AQUI? - Ela gritou de repente e eu me enchi de coragem.
- O quê, tá falando de mim? - Eu a encarei com a mão no peito e dei mais passos em direção a sala puxando o José Miguel pela mão. - Minha presença te incomoda, fofa? Morre que passa!
- José Miguel, o que significa isso? Você não pode trazer a sua amante para a casa da minha filha! É muita audácia sua pensar que pode cometer esse pecado! - A cobra de aplique falava alto demais, quase como se estivesse gritando.
- E a minha casa, Carmem, não se esqueça disso! - O José Miguel a encarou com um olhar frio.
- Não, não é! É a casa da sua família! A casa da sua esposa, dos seus filhos! É a minha casa! Ou eu preciso te lembrar todas as promessas... - Pelo que eu entendi do que o José Miguel tinha me contado ela ia começar com aquela palhaçada de manipulação de sempre.
- Ah, pronto! Começou! Cobra de aplique, vira o disco! Até eu já fiquei cansada desse seu joguinho.
- Carmem, a Eva é a minha namorada, esta é a minha casa, ela vai estar aqui sempre que ela quiser e você vai parar com esse escândalo agora! - O José Miguel falou entre os dentes e eu fiquei até orgulhosa.
- O que está acontecendo com você, José Miguel? Você fez uma promessa a Cora, você deve fidelidade a ela! Você não respeita mais esse teto sagrado? Não respeita mais seu casamento? - A Carmem se aproximou do Jose Miguel um pouco demais para o meu gosto e eu entrei na frente dele.
- Casamento, cobra de aplique? Você é doida? Ele é viúvo! Sabe o que significa isso? Significa que ele é livre para fazer o que quiser. E ele quer namorar comigo! Nãop é maravilhoso? Pra mim é! - Eu dei um grande sorriso.
- Entenda e aceite, Carmem, eu vivi o luto pela minha perda, eu fui um marido fiel sim! Mas eu estou me perdoando, compreendendo tudo o que aconteceu e me dando uma segunda chance. A Eva é parte disso, eu me apaixonei por ela e ela está comigo! Eu estou sim, Carmem, deixando as promessas para trás, porque eu já não suporto o peso delas! Então eu vou te dar uma escolha, Carmem, ou você respeita a Eva, me respeita e para de tentar interferir na minha vida pessoal, para de me jogar essa culpa e de me ofender, ou você perde o meu apoio completamente! A escolha é sua, ou continua vivendo nessa casa com o meu apoio, mas sem interferir na minha vida, ou sai agora mesmo por essa porta e nunca mais me procura. Mas uma coisa, Carmem, eu te garanto, eu estou com a Eva, eu estou feliz e eu não vou deixá-la! - O José Miguel não poderia ter sido mais claro e a Carmem até se encolheu um pouco.
- Aceita que dói menos! - Eu cantarolei do sofá e sorri para a Carmem.
A campainha tocou e uma senhora passou atrás do José Miguel tentando esconder o sorriso e correu para abrir a porta. Eu sabia quem estava chegando e sabia que a noite estava só começando.
- Candi, minha rainha! - A voz do Matheus se fez ouvir quando a porta foi aberta e eu sorri ainda mais, meu reforço tinha chegado. A Carmem se virou imediatamente para o José Miguel.
- O que o filho do diabo está fazendo aqui? - Ela exigiu, mas o Matheus já estava dentro puxando a Gabriele pela mão.
- Ah, pode parar por aí que você não é minha mãe e vive um casamento feliz com satã desde o início dos tempos! - O Matheus a provocou e a deixou sem palavras, olhou para cada um de nós e com aquele sorriso cafajeste sedutor ele falou finalmente: - Cheguei, amigos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...