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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 20

~AYLA~

A madrugada estava pesada. Eu e Teri andávamos lado a lado, praticamente em silêncio, enquanto o eco dos nossos saltos ressoava pelas ruas quase desertas. Sabíamos que aquela era mais uma noite como tantas outras, mas algo dentro de mim estava diferente. Algo tinha mudado. O silêncio entre nós era preenchido pelo cansaço, mas também pela curiosidade que eu sabia que Teri estava segurando. Ela sempre sabia o que dizer, sempre tinha uma opinião, mas, dessa vez, ela se manteve quieta, respeitando meu espaço. O vento frio da madrugada soprava contra nós, e eu me encolhia no meu casaco fino, tentando afastar o peso que pairava sobre meus ombros.

Quando finalmente chegamos ao nosso prédio, trocamos apenas um olhar breve. O apartamento estava quieto, mas havia algo quase reconfortante no silêncio que nos envolvia. Peguei um copo de água e me joguei no sofá enquanto Teri foi direto para o chuveiro. O som da água caindo no banheiro era o único barulho que preenchia o apartamento, e eu senti meu corpo relaxar um pouco, mas minha mente estava longe de encontrar descanso.

Na manhã seguinte, o cansaço ainda estava presente, mas havia uma leveza diferente no ar. As luzes que atravessavam as cortinas finas do nosso apartamento iluminavam as partículas de poeira que dançavam no ar. Pegamos vassouras e panos e começamos a faxina, algo que sempre fazia parte do nosso ritual de recuperação após as longas noites de trabalho. A tarefa ajudava a manter a mente ocupada, mas, dessa vez, eu estava distraída. Meu coração batia em um ritmo diferente, como se estivesse tentando acompanhar os pensamentos que corriam pela minha cabeça.

Teri parecia especialmente animada naquela manhã, cantarolando enquanto movia os móveis de lugar e passava o pano. Eu, por outro lado, não conseguia parar de pensar no que havia acontecido na noite anterior. Cada detalhe da interação com Nicolas rodava em minha mente. O que significava ele ter reservado dois meses do meu tempo? Qual era a intenção por trás disso?

— Vamos tirar o lixo — disse, mais para mim mesma do que para Teri.

Ela pegou um saco de lixo e me seguiu, descendo as escadas com o mesmo ritmo descontraído de sempre. O cheiro de mofo no corredor era quase reconfortante, um lembrete de que, por mais complicadas que fossem as coisas, sempre havia algo familiar naquele lugar.

Quando chegamos à portaria, encontramos dona Marta, a vizinha do 204, saindo com o filho, Matheus. Ele era um garoto simpático, de 17 anos, que sempre me cumprimentava com um sorriso tímido. Mas dona Marta... bem, ela sempre tinha algo a dizer, e nunca era algo agradável. Dessa vez, não foi diferente.

— Não olhe para elas, Matheus — disse ela, praticamente empurrando o filho para o lado. — Esse tipo de gente traz doença... Você não quer ser contaminado com isso.

Eu senti uma onda de raiva subir dentro de mim, mas estava acostumada com o jeito dela. Mesmo assim, não pude deixar de responder.

— Não vou passar nenhuma doença só porque ele está olhando, Marta. Relaxa.

Ela me lançou um olhar de desprezo, como se estivesse falando com alguém muito abaixo dela.

— Luxúria é uma das piores doenças — ela disse, erguendo o queixo. — Isso corrói por dentro.

Antes que eu pudesse responder, Teri, que estava mais atrás, soltou seu típico comentário debochado.

— Dois meses para os dezoito, não é, Matheus? Mal posso esperar para te ver lá na Inferno!

Eu não pude evitar. Minha risada ecoou pelo corredor, uma risada alta e despreocupada. Matheus, envergonhado, sorriu para Teri, visivelmente encantado com ela. Marta, por outro lado, puxou o filho com mais força e acelerou os passos. Nós seguimos nosso caminho, rindo baixinho da situação.

De volta ao apartamento, o clima parecia um pouco mais leve. Teri sempre sabia como desarmar essas situações e transformar o desconforto em algo mais fácil de lidar. Mas, apesar disso, o peso do que eu estava sentindo não desaparecia. Precisava falar sobre aquilo.

— Como você lida com esses clientes que acabam ficando mais próximos? — perguntei, tentando soar casual, mas sabia que Teri perceberia meu desconforto.

Ela parou o que estava fazendo por um segundo, me lançando um olhar de curiosidade antes de responder com uma risadinha.

Capítulo 20 1

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