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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 30

~NICOLAS~

O sol refletia na superfície azul da piscina, criando padrões cintilantes que dançavam sobre o rosto de Amélie enquanto ela brincava com seus primos. As risadas infantis ecoavam pelo pátio, mas eu mal conseguia prestar atenção nelas. A bebida em meu copo estava quase intocada, o gelo derretendo lentamente enquanto eu girava o líquido âmbar sem real interesse.

— Você parece perdido — a voz de Sofia quebrou o silêncio, trazendo-me de volta. Minha irmã estava sentada no banco ao meu lado, seu olhar atento demais para o meu gosto.

— Só cansado — respondi, desviando o olhar para as crianças.

Sofia riu baixinho, aquele tipo de riso que carregava mais compreensão do que humor.

— Cansado, Nicolas? Isso é pouco. Você está exausto. E não só fisicamente.

Permaneci em silêncio, tomando um gole da bebida e deixando o álcool aquecer minha garganta. Ela não desistiria tão fácil.

— Você acha que Enrico ficaria feliz com isso? — Sofia perguntou suavemente, e eu senti algo se contrair dentro de mim. — Com quem você se tornou?

Respirei fundo, apoiando o copo sobre a mesa.

— Alguém precisava fazer isso, Sofia. Alguém precisava estar aqui. Alguém precisava manter tudo funcionando.

— Eu sei, Nico. Sei que você acha que isso era o certo. Que precisava cuidar de tudo... mas a que custo? — Sofia cruzou os braços, seu olhar penetrando o meu. — Quando foi a última vez que você fez algo por você mesmo? Algo que realmente te fizesse feliz?

Fiquei em silêncio por um momento, meus olhos fixos na superfície da piscina. Nyx. Nyx era o que eu vinha fazendo por mim mesmo ultimamente. Por mais que eu soubesse que Ricardo estava certo e que eu jamais poderia tirá-la de dentro daquela boate e trazê-la para minha vida.

— Isso não importa mais. Eu tenho responsabilidades. Uma empresa para administrar, uma esposa que... que precisa de mim e uma filha que mal entende por que a mãe não a reconhece. Alguém tem que ser forte.

— Forte? — Sofia bufou, balançando a cabeça. — Forte não significa viver como se estivesse pagando por um pecado, Nicolas. Forte não significa esquecer quem você é. Lembra de como você era? Aquele cara que tirava fotos pelo mundo, que passava horas falando sobre luz e sombra, que arranjava desculpas para fugir do escritório para jogar golfe com os amigos... Quando foi a última vez que você acampou, Nico?

Uma memória fugaz me atingiu. Eu, com uma câmera em mãos, capturando sorrisos desconhecidos em um mercado lotado de Istambul. Aquilo parecia pertencer a outra vida.

— Esse cara morreu — murmurei.

— Não. Ele ainda está aí, preso debaixo dessa armadura que você colocou para sobreviver. Mas eu vi uma rachadura recentemente — Sofia disse, inclinando-se para mais perto. — Quem é ela?

— Não sei do que você está falando — respondi, frio, tentando encerrar o assunto ali mesmo.

— Ah, Nico... Só pode ser uma mulher para te deixar assim tão distraído.

Dei uma risada seca, balançando a cabeça.

— Desde quando eu me distraio por causa de mulher, Sofia?

— Não é sobre você, é sobre a humanidade — ela rebateu, com aquele tom típico de quem já venceu a discussão. — Todo homem fica perdido quando se apaixona.

Ricardo assentiu, mas o sorriso provocador ainda estava lá, brincando no canto dos lábios.

— Parece que o fim de semana está cheio de vitórias para você, chefe.

Sofia arqueou uma sobrancelha, claramente curiosa com o tom insinuante do comentário, mas não disse nada. Apenas observou enquanto Ricardo se levantava, deixando a pasta sobre a mesa e se afastando com o mesmo sorriso satisfeito no rosto para poder pegar uma bebida no bar.

Eu sabia o que aquele olhar significava. E, mesmo que ela não tenha dito nada, eu podia sentir sua pergunta pairando no ar entre nós.

"Quem é ela?"

O silêncio se instalou novamente, mas dessa vez, era pesado, quase sufocante.

Enquanto observava o reflexo do pôr do sol no copo de uísque em minhas mãos, uma imagem se formou na minha mente.

Nyx.

Os olhos intensos, o sorriso hesitante, a maneira como ela parecia tão forte e, ao mesmo tempo, tão quebrada.

Por mais que eu tentasse negar, eu sabia a resposta para a pergunta de Sofia.

E esse era o problema: talvez eu realmente estivesse me apaixonando por uma mulher que eu nem ao menos sabia o nome verdadeiro.

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