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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 31

~AYLA~

O pequeno salão de festas do prédio estava lotado. Não que fossemos muitos, mas o lugar era realmente pequeno. Uma reunião informal, feita às pressas pelos próprios inquilinos, mas ainda assim, fervilhava de ansiedade e murmúrios. Teri e eu estávamos encostadas na parede ao fundo, como sempre, evitando as cadeiras na linha de frente. Ela mexia no celular, provavelmente trocando mensagens com algum de seus contatinhos duvidosos, enquanto eu observava as expressões preocupadas ao nosso redor.

— Teri — murmurei, puxando de leve seu braço e olhando para o pulso dela. — Você nunca teve uma tatuagem aqui?

Teri me olhou, franzindo o cenho antes de rir.

— Você já me viu pelada mais vezes do que qualquer homem nesse prédio, Ayla. Onde diabos eu esconderia uma tatuagem?

Ri baixinho, balançando a cabeça enquanto olhava para Teri. Nossa amizade era tão sólida, tão íntima, que nem mesmo essa conversa – ou o fato de já termos nos visto nuas inúmeras vezes – carregava qualquer constrangimento. Entre nós, não existiam barreiras ou vergonha. Teri era minha pessoa, o tipo de amiga que te conhece nos seus piores dias e ainda assim fica por perto, rindo das suas paranoias e te lembrando, com leveza, que nem tudo precisa ser tão sério.

— Eu… acho que sonhei com isso.

— Que tipo de tatuagem? — Ela inclinou a cabeça, agora genuinamente curiosa.

Eu apertei os olhos, tentando lembrar, mas a dor veio junto. Uma pontada aguda na têmpora, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro da minha cabeça à força. Teri estava sentada no sofá da sala, olhando para o desenho no pulso, mas...

— Não sei… não consigo me lembrar.

— Deve ser algo picante, tipo… — Ela pausou, olhando para o vazio como se estivesse criando algo mirabolante. — Um código de barras, com os dizeres: "produto premium".

Dessa vez não consegui contar e risada explosiva, mesmo enquanto levava a mão à cabeça, massageando o ponto dolorido.

— Só você, amiga.

Antes que ela pudesse responder, uma voz grossa cortou o burburinho geral:

— Atenção, pessoal, por favor!

Todos se viraram em direção ao homem que agora estava no centro da sala. Paulo era seu nome. Alto, com cabelos grisalhos e óculos pequenos que escorregavam pelo nariz. Ele parecia cansado, mas determinado.

— Eu consegui algumas informações sobre a venda do prédio — começou ele, olhando ao redor, como se buscasse coragem nos olhos das pessoas. — Parece que o prédio foi vendido por uma fortuna.

O silêncio caiu sobre a sala, como uma cortina pesada.

— E o nosso direito de compra? — Vanessa, que estava sentada com os braços cruzados, protestou.

Paulo suspirou, ajeitando os óculos no rosto.

— Sejamos realistas, Vanessa. Ninguém aqui tem dinheiro para cobrir uma proposta daquele nível.

Engoli em seco, sentindo um nó se formar na garganta.

— Então é isso? — minha voz saiu antes que eu pudesse evitar. — Nós temos trinta dias para sermos chutados daqui?

— Aparentemente, sim. — Ele assentiu, com um pesar visível nos olhos.

O silêncio voltou, agora ainda mais denso. Vi algumas pessoas se entreolhando, outras baixando a cabeça, derrotadas antes mesmo da luta começar.

— Mas — Paulo continuou, elevando o tom de voz — eu descobri quem comprou o prédio. Tenho o contado da empresa.

— E o que isso importa? — Teri perguntou, jogando os braços para trás, claramente entediada com todo o drama, por mais que também estivesse visivelmente abalada.

— Importa porque podemos tentar conversar com eles. Mostrar que temos interesse em continuar aqui, como inquilinos — explicou Paulo.

— Quem sabe eles esperam exatamente isso? — respondi, entrando na brincadeira.

Paulo pareceu não ouvir, mas Matheus, filho da dona Marta, ouviu, e não ficou calado ao tentar nos convencer.

— Vocês são bonitas o suficiente para convencer qualquer um — disse, corando.

Antes que ele pudesse continuar, levou uma cotovelada bem dada da mãe.

Teri mandou um beijinho no ar, fazendo o pobre rapaz ficar ainda mais vermelho.

— Bom, então… vocês aceitam nos representar? — Paulo perguntou, voltando ao assunto.

Eu estava prestes a negar, já com a desculpa na ponta da língua, mas Teri, claro, foi mais rápida:

— Aceitamos. Mas, por favor, não coloquem muitas expectativas nisso.

— Vocês vão fazer um ótimo trabalho — Vanessa disse, dessa vez com um sorriso encorajador. — Se alguém pode fazer isso, são vocês.

Olhei ao redor e vi aqueles rostos esperançosos. Pessoas que, como eu, não tinham mais para onde ir. Pessoas que só queriam segurar a pequena estabilidade que tinham, mesmo que por mais um pouco de tempo.

Respirei fundo, sabendo que não poderia mais voltar atrás.

— Certo — respondi, firme. — Vamos fazer o nosso melhor.

Respirei fundo mais uma vez, sentindo o peso daquela responsabilidade se acomodar nos meus ombros. Eu já tinha perdido tanto — meus filhos, minha paz, minha vontade de viver — e, por mais que tentasse ignorar, sabia que não aguentaria perder mais nada. Mas dessa vez, não era só sobre mim. Não era só a minha vida que estava em jogo. Eram todas aquelas pessoas ao meu redor, seus lares, suas histórias, seus pequenos refúgios em meio ao caos. Eu precisava fazer isso. Precisava vencer, não por mim, mas por eles.

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