O som ensurdecedor das músicas sedutoras ecoava pelo corredor enquanto eu caminhava para o camarim, ainda sentindo o coração acelerado pela apresentação. Meus saltos batiam firmes no chão, meus cabelos grudavam levemente na pele úmida pelo esforço da dança, mas nada disso parecia importar.
Nicolas estava lá.
Ele estava sempre lá aos sábados. E, por mais que eu tentasse negar para mim mesma, a verdade era que eu contava os dias até aquele momento. Cada sábado era como uma promessa silenciosa, um pacto não verbalizado entre nós dois. Eu dançava para ele, apenas para ele, e a maneira como seus olhos me seguiam em cada movimento era o suficiente para me fazer esquecer — ainda que temporariamente — todo o resto.
No entanto, quanto mais eu me aproximava dele, menos eu entendia. Era como se algo dentro de mim gritasse para que eu prestasse atenção, como se houvesse algo importante que eu precisava descobrir. Não era só atração, não era apenas o desejo gritante que se instalava entre nós toda vez que estávamos próximos. Era mais.
“— Lembre-se…” — A voz ecoou em minha cabeça, baixa e distante, como um sussurro no meio de uma tempestade.
Parei no meio do corredor, franzindo a testa. De novo aquela voz. De novo aquele sentimento de que eu estava esquecendo algo crucial. Fechei os olhos com força e sacudi a cabeça, murmurando para mim mesma:
— Eu estou ficando louca…
— Ah, mas isso é novidade pra quem? — Teri apareceu do nada, apoiando-se no batente da porta do camarim, com um sorriso zombeteiro nos lábios. — Você já era meio doida antes, amiga.
Eu ri, ainda que de forma nervosa, e ela se aproximou, passando um braço pelos meus ombros e me guiando para dentro do camarim. O cheiro de perfume quente e maquiagem atalcada tomou conta dos meus sentidos enquanto nos acomodávamos em frente ao espelho.
— Ok, desembucha. Esse surto tem a ver com a venda do prédio? — ela perguntou, jogando-se em uma cadeira ao meu lado.
Suspirei, sentindo o peso daquela preocupação voltar a apertar meu peito.
— Em partes, sim. Agora temos menos de trinta dias. Um mês, Teri! E, como se não bastasse, toda a esperança daquele grupo de pessoas está nas nossas mãos. E nem sabemos se vão nos receber de verdade.
Teri bufou, rolando os olhos.
— Você sabe que nós temos dinheiro para ir para um lugar melhor, não sabe? — Ela me olhou pelo espelho, os olhos mais sérios do que eu esperava. — A gente não precisa ficar lá.
— Você tem dinheiro, Teri — respondi, baixinho. — Eu não.
— Ah, qual é, Ayla! Você acha mesmo que eu deixaria você para trás? Que tipo de amiga você acha que eu sou?
Seu tom era quase indignado, mas cheio de carinho. Meus olhos se suavizaram enquanto eu a encarava pelo reflexo no espelho.
— Eu sei, Teri. Mas isso não é só sobre nós duas. Não é sobre você me salvar. É sobre todas aquelas pessoas. Eles depositaram suas esperanças na gente. Eles acreditam que nós podemos fazer alguma coisa, e… — Respirei fundo, tentando acalmar o aperto no peito. — Eu não quero decepcioná-los.
Teri balançou a cabeça, com aquele sorrisinho presunçoso que ela sempre dava quando queria esconder sua vulnerabilidade.
— Talvez funcione. Talvez não. Mas, sinceramente, a gente nunca vai saber se não tentar.

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