~TERI~
Ficar sozinha em uma sala com um homem como Ricardo Belmonte não era exatamente um problema para mim. Eu já tinha enfrentado caras piores, com sorrisos mais perigosos e intenções mais nebulosas. Ainda assim, havia algo nele que me deixava em alerta. Talvez fosse aquele jeito de olhar, como se estivesse sempre dois passos à frente de qualquer jogada que eu pudesse fazer.
Ele me observava com um sorriso quase indecifrável, como se estivesse tentando me desvendar enquanto inclinava a cabeça levemente para o lado.
— Eu acho que conheço você de algum lugar — ele disse. — Mas não consigo me lembrar de onde.
Inclinei a cabeça também, espelhando o gesto dele, e deixei um sorriso malicioso escapar pelos lábios pintados de vermelho.
— Depende, senhor Belmonte. Você está acostumado a contratar garotas de programa de luxo?
Ele riu, um pouco desconcertado, como se ele estivesse esperando por qualquer coisa que não aquela resposta tão direta. Seus dedos deslizaram pela gravata, ajustando o nó com um movimento automático, mas pude notar que era apenas uma forma de ocupar as mãos enquanto procurava algo espirituoso para dizer. Seu sorriso continuava lá, firme, mas os olhos vacilaram por um breve segundo antes de voltarem a me encarar com confiança renovada.
— Essa é uma pergunta perigosa, senhorita Vilar…
— Teri — corrigi, sem deixar que ele se perdesse no raciocínio. — Ou Cat. Depende de qual vai ser nosso tipo de relacionamento — sorri. — E, sinceramente, Ricardo, só a resposta para a minha pergunta é que é perigosa.
Nós rimos, e o clima na sala oscilou entre tensão e um tipo estranho de atração.
Levantei-me lentamente da cadeira, caminhando com passos calculados até a mesa entre nós. Subi no tampo de madeira com facilidade, cruzando as pernas de forma teatral. A fenda do meu vestido deslizou naturalmente, expondo parte da minha perna de maneira calculada.
Ricardo me observava com atenção, mas sem perder aquele olhar confiante e, de certa forma, predatório.
Agarrei a gravata dele com dois dedos, puxando-o suavemente para mais perto.
— Sabe, Ricardo, sou uma mulher acostumada a negociar.
Ele não recuou, nem avançou. Apenas sorriu de canto, os olhos fixos nos meus.
— A diferença aqui, senhorita Vilar, é que eu posso pagar pelo seu produto. Você pode pagar pelo meu?
Ele tinha um ponto. Seu tom era firme, sua postura, impecável.
— Talvez eu possa — respondi, soltando a gravata lentamente e apoiando as mãos na mesa. — Tenho bastante dinheiro guardado.
A sobrancelha dele se arqueou em curiosidade.
— Mas não o suficiente para comprar o prédio ou salvar todas aquelas pessoas que moram lá — continuei, com sinceridade. — Mas talvez… só talvez… eu possa comprar um daqueles apartamentos modernos e luxuosos para mim e para a minha amiga.
— O seu trabalho realmente rende tanto assim? — perguntou, inclinando-se ligeiramente para mim.
Inclinei a cabeça e dei um sorriso irônico.
— Se quiser, posso marcar uma demonstração. Assim você vê, com seus próprios olhos, o quão valiosa eu sou.
Os lábios dele se curvaram em um sorriso torto, cheio de confiança. Seus olhos desceram até minha boca antes de voltarem a se fixar nos meus.
— Confesso que estou curioso.
Ricardo olhou para o número rabiscado em sua pele e riu baixo, balançando a cabeça.
— Foi uma reunião… interessante — ele disse, com um tom carregado de duplo sentido.
— Espero que a próxima seja mais — respondi com um piscar de olhos.
— No mínimo, mais prazerosa — ele completou, e eu ri enquanto me dirigia à porta.
Ao sair, fechei a porta atrás de mim e soltei um suspiro pesado. Meu coração ainda batia acelerado, mas eu sabia que tinha feito o meu melhor. Pelo menos, por enquanto.
Desci os degraus do prédio rapidamente e encontrei Paulo já parado com o carro em frente à entrada principal. Ayla estava sentada no banco da frente, com o rosto virado para a janela.
— Tá tudo bem? — perguntei baixinho, olhando para ela com cuidado.
Ayla assentiu de leve, mas seus olhos estavam fixos em algum ponto distante, e o silêncio dela dizia mais do que qualquer palavra poderia expressar. Eu conhecia aquele olhar. Era o olhar de quem estava tentando segurar algo que doía demais para ser colocado em palavras.
Suspirei, encostando a cabeça no banco do carro enquanto observava minha amiga pelo retrovisor. Eu sabia exatamente como ela estava se sentindo, porque eu já tinha estado nesse lugar. Me apaixonar por um cliente que no final me rejeitou e me deixou com um vazio impossível de preencher e a sensação de que o problema era comigo, que eu nunca seria suficiente.
— E aí, como foi lá em cima? — Paulo perguntou, olhando-nos pelo retrovisor.
Me joguei contra o banco, soltando um longo suspiro e olhando para fora da janela.
— Ganhamos tempo — respondi finalmente, minha voz mais séria. — Pelo menos por enquanto.

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