Entrar Via

Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 47

~NICOLAS~

O bar que escolhemos estava quase vazio naquela noite de sábado. A iluminação baixa lançava sombras suaves sobre os copos de uísque e garrafas perfeitamente alinhadas atrás do balcão de mogno escuro. O som abafado de jazz tocava ao fundo, e o gelo no meu copo tilintava suavemente enquanto eu o girava entre os dedos.

Ricardo estava sentado à minha frente, com a gravata frouxa e o paletó jogado displicentemente sobre o encosto da cadeira. Ele bebia devagar, mas seus olhos me analisavam com a intensidade de alguém que sabia mais do que dizia.

— E então? Como está Isabela? — perguntou ele, rompendo o silêncio confortável entre nós.

— Foi só um susto — respondi, com a voz rouca do álcool e do cansaço acumulado. — Mas você sabe... Na situação dela, não existe mais "bem". Cada dia é uma batalha que estamos perdendo.

Ricardo assentiu, o olhar dele carregado de compreensão.

— Talvez fosse melhor começar a preparar Amélie para o pior, Nico. Ela é esperta, mas ainda é uma criança.

Soltei um suspiro pesado e passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar meus dedos.

— Você acha que eu não tento? Que eu não penso nisso todos os dias? Amélie faz terapia desde que a situação da mãe começou a ficar insustentável. Mas como eu explico para ela que a mãe provavelmente nunca mais vai reconhecê-la? Como eu digo que ela não vai estar lá na primeira apresentação de balé dela?

Minha voz falhou no final, e por um momento, o silêncio se instalou novamente entre nós.

— Você fez o que era certo — disse Ricardo, depois de um tempo. — Sabe disso, não sabe?

Eu não respondi. Nem sabia se acreditava que fiz o certo. Na maioria dos dias, parecia que eu estava apenas sobrevivendo, passando de um dia para o outro, carregando nos ombros um peso que nunca parecia diminuir.

Ricardo percebeu que o assunto estava se tornando pesado demais e resolveu mudar de direção.

— Por falar em balé… — Ele soltou um longo assobio. — Que professora gata você foi arrumar para as meninas, hein?

Eu ri, um som curto e rouco, mas genuíno.

— Em outros tempos eu não teria resistido tanto às investidas de Helena.

— Ah, eu sei bem! — Ricardo riu, apontando para mim com o copo. — O velho Nicolas Sartori nunca deixava passar uma oportunidade dessas.

Meu sorriso sumiu lentamente, e encarei o fundo âmbar do meu copo.

— Mas não é ela que ocupa minha cabeça, Ricardo.

Ricardo estreitou os olhos, o sorriso sumindo do rosto dele também.

— Ayla?

Assenti levemente, deixando o peso daquele nome cair entre nós.

— Esse é outro problema — continuei, minha voz mais baixa. — Ela ficou devastada quando descobriu que eu era casado. E não foi só isso, foi a maneira como aconteceu... Descobrir que eu tenho uma esposa no hospital.

— Você não contou a ela que...?

— Não tive nem tempo para qualquer conversa.

— Então esquece ela, Nico. — Ricardo deu de ombros. — Você sabe que isso não tem futuro. Especialmente se ela descobrir… a verdade.

Aquela rejeição doeu mais do que eu gostaria de admitir, mas era o certo. Ela estava certa em me manter longe. Eu não tinha o direito de entrar na vida dela. Não com toda a minha bagagem.

— Você sabe que esse tempo que você pagou por ela acaba hoje, não sabe? — Ricardo perguntou, recostando-se na cadeira e cruzando os braços.

Assenti, sentindo um gosto amargo na boca.

Eu poderia ir lá. Poderia falar com Lorenzo, renovar o contrato, pagar o dobro, o triplo, o que fosse necessário. Poderia garantir que nenhum outro homem chegasse perto dela. Que ninguém a tocasse.

Mas isso resolveria alguma coisa?

Eu precisava deixá-la seguir em frente. Mesmo que isso me doa por dentro, mesmo que eu sinta ciúmes em pensar nela nos braços de outro homem. E, pior, mesmo que me destrua pensar que ela só estava fazendo aquilo por falta de qualquer perspectiva de futuro. Ela merece mais do que aquilo. Ela merece ser feliz. Mas como eu poderia fazer isso por ela quando era um dos causadores dos seus dilemas?

Ricardo ficou em silêncio, apenas me observando com algo nos olhos que parecia uma mistura de pena e respeito.

O gelo no meu copo derreteu completamente, e o jazz suave continuava tocando ao fundo, indiferente ao turbilhão de pensamentos que rodavam na minha mente.

Eu precisava esquecê-la. Precisava enterrá-la no fundo da minha mente, onde ela não pudesse mais me assombrar. Mas, no fundo, eu sabia: esquecer Ayla seria impossível.

Porque ela não era apenas mais uma mulher. Ela era o ponto de virada na minha história. E eu não tinha certeza se algum dia conseguiria seguir em frente sem carregar a sombra dela comigo.

— Vamos, Ricardo — murmurei, levantando-me e jogando algumas notas sobre o balcão. — Já chega por hoje.

Ele assentiu, terminando seu copo antes de se levantar também.

Enquanto saíamos do bar, senti o vento frio da noite bater no meu rosto, mas o vazio no meu peito parecia muito mais gelado.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário