~AYLA~
Eu estava sentada no sofá gasto da nossa sala, com as pernas cruzadas e um copo de vinho barato na mão. A luz amarelada do abajur iluminava apenas metade do meu rosto, enquanto a outra metade permanecia na penumbra. Teri estava no chão, com as costas apoiadas no sofá e os cabelos espalhados sobre os ombros. A TV estava ligada, mas nenhum de nós realmente prestava atenção nela.
— Ele é casado, Teri — minha voz soou baixa, mas firme. — Nicolas é casado. E a esposa dele está no hospital.
Teri arqueou uma sobrancelha, o rosto virado para mim.
— Como você descobriu isso?
— Eu me lembro dele e da filha no hospital. Eu estava lá, lembra? A Dra. Alice comentou sobre eles. Disse que estavam sempre lá… — Minha voz falhou, e eu apertei o copo com mais força. — E agora eu não consigo parar de pensar nisso. Nicolas Sartori, o homem que me fez acreditar que queria algo mais comigo, que fez parecer que eu era mais do que só uma mulher que ele pagou para estar ali, simplesmente abandonou a esposa doente em um hospital enquanto frequenta boates de strip-tease.
Teri soltou um suspiro e se virou completamente para me encarar.
— Ayla, você não deveria se importar com isso. Você sabe que muitos homens que frequentam a boate são casados. É parte do pacote.
Balancei a cabeça negativamente.
— Nyx não se importa, amiga. Nyx sabe que homens casados estão ali por uma noite, por uma fantasia, e que a culpa não é dela, que está apenas fazendo seu trabalho. Mas Nicolas... Ele fez parecer que queria algo além do que poderia ter apenas pagando. Ele fez parecer que queria algo comigo. Comigo, Ayla.
Teri me olhou com um misto de pena e irritação.
— E ainda assim ele te deixou esperando no restaurante, Ayla. Você não deveria esperar nada dele depois daquilo.
Dei de ombros, franzindo os lábios.
— Ele me avisou. Ele disse que, quando eu descobrisse a verdade, era eu quem não ia querer ficar com ele. Talvez fosse disso que ele estava falando.
Teri suspirou e passou uma das mãos pelos cabelos, bagunçando ainda mais os fios.
— Homens — ela murmurou. — Eles sempre têm uma desculpa perfeita para destruir nossos corações, não é?
Eu me afundei mais no sofá, sentindo uma dor amarga crescer dentro de mim. Não era só sobre Nicolas. Não era só sobre aquela situação. Era sobre tudo.
— Isso me traz tantos gatilhos, Teri — minha voz saiu trêmula. — Três anos atrás, era eu naquele hospital, me sentindo abandonada pelo meu marido. Me sentindo completamente descartável.
Teri subiu no sofá e se sentou ao meu lado, passando os braços ao redor dos meus ombros. Deitei minha cabeça em seu ombro e deixei que algumas lágrimas silenciosas escorressem pelo meu rosto.
— Será que todo homem é igual, Teri? Será que eu nunca vou encontrar alguém que realmente fique por mim?
Ela beijou o topo da minha cabeça e apertou seu abraço.
— Eu te amo, Ayla. E você me ama também, eu sei. Nós não precisamos de nenhum babaca enquanto tivermos uma à outra.
Ri fracamente, enxugando as lágrimas com as costas da mão.
— Você é tão cafona às vezes — murmurei, e ela riu junto comigo.
— Falando em ficarmos juntas até que a morte nos separe... — Teri disse, com um sorriso misterioso nos lábios.

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