A respiração saiu pesada de meus lábios assim que eu e Teri atravessamos a entrada da boate. O alívio foi imediato, mas não o suficiente para dissipar a tensão que vinha me acompanhando durante todo o trajeto. Pegamos um Uber naquela noite, algo que quase nunca fazíamos já que não podíamos nos dar ao luxo de pagar algo mais caro do que uma passagem de ônibus, e mesmo assim, cada minuto do caminho foi uma tortura. Eu não conseguia parar de pensar que, de alguma forma, alguém descobriria o que havia na mala que carregávamos. Claro, era paranoia minha, mas a sensação não me deixava em paz.
Assim que cruzamos a porta, percebi algo estranho: Pedro não estava no seu lugar habitual. Em vez disso, um segurança novo, que eu nunca tinha visto, ocupava o posto.
— Oi, cadê o Pedro? — perguntei, me aproximando.
— Ele está com uma virose — respondeu, com um tom neutro, sem sequer desviar o olhar da entrada. — Me chamaram pra cobrir hoje.
Suspirei, desapontada, mas não deixei de sorrir.
— Logo hoje que eu ia aceitar aquele cigarro.
O homem franziu o cenho, confuso. Antes que ele pudesse dizer algo, sacou um maço do bolso e me ofereceu um cigarro, claramente não entendendo a piada interna.
— Obrigada, mas não fumo. — Dei um sorriso educado e segui em frente, deixando-o sem entender.
A tensão voltou com tudo enquanto percorria os corredores. Meu coração estava acelerado, e minha mente, inquieta. Era a primeira noite depois de Nicolas. A primeira vez que eu estaria ali, disponível para outro homem. E por mais que eu tentasse me preparar mentalmente, a ideia me consumia.
Por dois meses, eu tinha me enganado, fingindo que sabia o que estava fazendo. Oficialmente, sim, eu estava oferecendo aquele tipo de serviço. Mas eu nunca de fato precisei dormir com um cliente, já que tudo o que Nicolas queria era me ver dançar. E, ainda que ele quisesse algo mais, ele tinha me levado a um lugar onde eu não sentia medo dele. Para ser honesta, eu vinha desejando aquilo também. Já outros clientes... Medo era a palavra.
Fui direto para o camarim, onde Lorenzo já me aguardava, ocupado com seu celular. Ele ergueu os olhos rapidamente quando entrei.
— Deu sorte, hein? — disse ele, com um sorriso que não atingia os olhos. — Preencheu a agenda rapidinho depois de eu ter que desmarcar vários clientes pro vencedor do leilão. Alguns ficaram ressentidos, mas parece que a curiosidade sobre a Nyx não morre nunca. Você continua sendo o evento principal.
Eu forcei um sorriso, embora minha vontade fosse revirar os olhos.
— Como eu sou sortuda, né? — comentei, o sarcasmo escorrendo na minha voz.
Lorenzo soltou uma risada curta.
— Sorte ou talento, tanto faz. — Ele deu de ombros, já voltando sua atenção para o celular. — Ah, e a propósito, pode voltar ao quarto VIP essa noite. Você tem um dom pra arrancar dinheiro extra desses idiotas.

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