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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 49

A respiração saiu pesada de meus lábios assim que eu e Teri atravessamos a entrada da boate. O alívio foi imediato, mas não o suficiente para dissipar a tensão que vinha me acompanhando durante todo o trajeto. Pegamos um Uber naquela noite, algo que quase nunca fazíamos já que não podíamos nos dar ao luxo de pagar algo mais caro do que uma passagem de ônibus, e mesmo assim, cada minuto do caminho foi uma tortura. Eu não conseguia parar de pensar que, de alguma forma, alguém descobriria o que havia na mala que carregávamos. Claro, era paranoia minha, mas a sensação não me deixava em paz.

Assim que cruzamos a porta, percebi algo estranho: Pedro não estava no seu lugar habitual. Em vez disso, um segurança novo, que eu nunca tinha visto, ocupava o posto.

— Oi, cadê o Pedro? — perguntei, me aproximando.

— Ele está com uma virose — respondeu, com um tom neutro, sem sequer desviar o olhar da entrada. — Me chamaram pra cobrir hoje.

Suspirei, desapontada, mas não deixei de sorrir.

— Logo hoje que eu ia aceitar aquele cigarro.

O homem franziu o cenho, confuso. Antes que ele pudesse dizer algo, sacou um maço do bolso e me ofereceu um cigarro, claramente não entendendo a piada interna.

— Obrigada, mas não fumo. — Dei um sorriso educado e segui em frente, deixando-o sem entender.

A tensão voltou com tudo enquanto percorria os corredores. Meu coração estava acelerado, e minha mente, inquieta. Era a primeira noite depois de Nicolas. A primeira vez que eu estaria ali, disponível para outro homem. E por mais que eu tentasse me preparar mentalmente, a ideia me consumia.

Por dois meses, eu tinha me enganado, fingindo que sabia o que estava fazendo. Oficialmente, sim, eu estava oferecendo aquele tipo de serviço. Mas eu nunca de fato precisei dormir com um cliente, já que tudo o que Nicolas queria era me ver dançar. E, ainda que ele quisesse algo mais, ele tinha me levado a um lugar onde eu não sentia medo dele. Para ser honesta, eu vinha desejando aquilo também. Já outros clientes... Medo era a palavra.

Fui direto para o camarim, onde Lorenzo já me aguardava, ocupado com seu celular. Ele ergueu os olhos rapidamente quando entrei.

— Deu sorte, hein? — disse ele, com um sorriso que não atingia os olhos. — Preencheu a agenda rapidinho depois de eu ter que desmarcar vários clientes pro vencedor do leilão. Alguns ficaram ressentidos, mas parece que a curiosidade sobre a Nyx não morre nunca. Você continua sendo o evento principal.

Eu forcei um sorriso, embora minha vontade fosse revirar os olhos.

— Como eu sou sortuda, né? — comentei, o sarcasmo escorrendo na minha voz.

Lorenzo soltou uma risada curta.

— Sorte ou talento, tanto faz. — Ele deu de ombros, já voltando sua atenção para o celular. — Ah, e a propósito, pode voltar ao quarto VIP essa noite. Você tem um dom pra arrancar dinheiro extra desses idiotas.

Ricardo estava, em um canto, bebendo sem sequer me olhar. Parecia quase uma demonstração de respeito a Nicolas, algo que me fez sentir um desconforto estranho. Fora isso, os mesmos rostos de sempre preenchiam o salão. Homens ricos, alguns habituais, outros novatos. Alguém entre eles estaria comigo em questão de minutos.

Quando a apresentação terminou, subi para o camarim, tentando conter a onda de nervosismo que me atingiu. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior.

Enquanto tomava um banho rápido, as lágrimas vieram sem aviso. Era uma mistura de ansiedade, frustração e tristeza. Pensei em desistir, em largar tudo e sair dali. Mas o que eu faria? Todo o dinheiro que ganhei no leilão com Nicolas foi para pagar dívidas, comprar remédios e ajudar a ONG. Ainda tinha algo guardado, claro, mas não o suficiente para me sustentar ou mesmo para enfrentar o que estava por vir quando fosse expulsa do prédio onde morava.

Eu sabia que Teri estava empolgada com a compra do apartamento, mas minha mente já começava a calcular tudo o que aquilo significaria. Não era só a compra em si, que já era um gesto imenso da parte dela, era o que viria depois. O condomínio seria bem mais alto do que estávamos acostumadas a pagar, sem mencionar as adaptações que precisaríamos fazer para nos ajustar a um lugar melhor, mais caro e provavelmente com vizinhos de um padrão bem diferente do nosso.

Além disso, algo dentro de mim não me deixava sossegar. Por mais que Teri tivesse feito aquilo com as melhores intenções, eu não conseguia aceitar a ideia. Eu faria questão de lhe pagar minha parte, de um jeito ou de outro. Era algo que minha consciência exigia, e minha independência, por menor que fosse, precisava ser preservada. Não importava o quanto eu teria que me esforçar ou quantas noites a mais precisaria passar naquela boate.

Além de tudo isso, havia o contrato com Lorenzo. Desistir significaria pagar uma multa altíssima. Não podia me dar a esse luxo.

Respirei fundo, tentando me recompor. Coloquei um vestido sensual o suficiente para agradar o tipo de homem que costumava frequentar aquele lugar e subi para o único quarto do terceiro andar. Meu coração parecia bater mais rápido a cada passo. Quando finalmente abri a porta, senti meu estômago afundar.

E ali, meu mundo congelou.

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