Meu coração quase parou quando meus olhos encontraram os dele. O choque foi tão grande que meus pés agiram antes da minha mente, me fazendo dar passos desajeitados para trás. Estava tão absorta no terror daquela visão que nem percebi quando saí do quarto. Mas não tive chance de fugir.
Mãos fortes agarraram meus braços com força e me puxaram de volta para dentro. A porta se fechou atrás de mim, e o som seco da tranca ecoou no silêncio do quarto.
— Senti sua falta — ele disse, aproximando-se com uma intensidade que me fez recuar mais uma vez. Em um movimento abrupto, seus lábios colidiram com os meus, violentos, invasivos.
— Miguel, não! — gritei, empurrando-o com toda a força que consegui reunir. Ele parou, me encarando com aquele mesmo olhar sarcástico que me fazia sentir tão pequena desde o dia em que nos separamos.
— Eu paguei por você — ele disse, com um tom ácido. — Você não tem o direito de dizer não.
Minha respiração estava pesada, mas consegui responder, mesmo com a voz trêmula:
— Não é assim que funciona, Miguel. — Fiz uma pausa, reunindo coragem para a próxima pergunta. — Helena sabe que você está aqui?
Ele riu, um riso seco e cheio de desprezo.
— Você sabia quando estávamos juntos? — A ironia em sua voz me fez estremecer.
Meu sangue ferveu. Claro que ele seria capaz de algo assim. Por que eu esperava algo diferente depois de tudo o que ele já havia feito? Ainda assim, doía. Cada palavra, cada gesto dele parecia reabrir feridas que eu tentava desesperadamente esquecer.
Ele avançou novamente, mas meu reflexo foi mais rápido. Minha mão se ergueu e o tapa que lhe dei ecoou pelo quarto. Em segundos, ele segurou meu pulso com tanta força que eu gritei de dor.
— Você nunca soube quando parar, não é? — disse ele, torcendo minha mão enquanto eu choramingava.
— Não sei como Lorenzo permitiu que você entrasse aqui — murmurei, tentando me livrar de seu aperto.
— Ele não permitiu — respondeu, sorrindo. — Usei o nome de um amigo para agendar e paguei para o segurança me deixar subir. Disse que queria fazer uma surpresa.
Meu tom saiu ácido, mesmo em meio às lágrimas:
— Que bela surpresa.
Ele soltou minha mão, apenas para acariciar meu rosto com o polegar. Eu mal me movia, sentindo nojo e uma raiva avassaladora.
— Por que não começamos de novo? — sugeriu ele, sua voz ficando mais suave. — Não quero assustá-la, Ayla. Não quero que seja assim.
Não respondi, mas ele parecia satisfeito com meu silêncio.
— Vou pegar uma bebida para nós — disse, virando-se em direção ao bar. — Você quer algo?
Apenas balancei a cabeça lentamente, tentando esconder as lágrimas que insistiam em cair. Quando ele se virou, meu instinto foi correr. Mas como se já soubesse o que eu faria, ele se moveu rápido e bloqueou a porta.
Eu não respondi, apenas fechei os olhos com força, lutando contra as lágrimas. Ele, no entanto, pareceu não se importar. Continuou descendo pelo meu braço, deixando um rastro de beijos molhados que me fazia sentir ainda mais repulsa.
— Não entendo como pode estar tão quente aqui, mas você… você continua uma pedra de gelo que não derrete — disse ele, frustrado, afastando-se levemente para me observar.
— Isso é tudo o que você terá de mim — murmurei, minha voz saindo trêmula, quase um sussurro.
Miguel parou por um instante, como se estivesse considerando minhas palavras, mas logo deu de ombros e voltou a invadir meu espaço com seu toque insistente. O calor no quarto era sufocante, o ar parecia pesar toneladas, e meu próprio corpo estava coberto de suor. Eu não sabia se era apenas o ambiente ou o pânico que tomava conta de mim.
Foi então que ele se afastou abruptamente, franzindo o nariz.
— Que merda de cheiro é esse? — perguntou ele, olhando em volta, desconfiado.
Foi então que percebi. Uma fumaça fina começava a entrar pelas frestas da porta.
— Mas que porra… — Miguel se levantou, abrindo a porta para ver o corredor. Ele arregalou os olhos, gritando desesperado: — Fogo! É fogo, porra!
Ele olhou para mim, hesitando por um momento, antes de sair correndo, deixando-me sozinha no quarto.
Eu não me movi. Apenas fiquei ali, observando a fumaça que começava a invadir o espaço.

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