~AYLA~
O teto parecia se mover enquanto eu permanecia deitada, imóvel, nua, a pele úmida de suor. O calor era insuportável, como se estivesse em um forno. Meus pulmões começavam a pesar, e eu pisquei, confusa. Fogo. Miguel disse que estava pegando fogo? As palavras dele ecoavam em minha mente, mas tudo parecia surreal, como se eu estivesse presa em um sonho do qual não conseguia despertar.
Eu não sabia se queria lutar pela minha vida. Havia algo dentro de mim que dizia que era mais fácil desistir, deixar que as chamas resolvessem tudo. Mas então, uma voz clara, insistente, surgiu em minha mente. “Lembre-se. Você pode ter sua família de volta.”
A voz me atingiu como um choque. Minha família. Meus filhos. As palavras escaparam dos meus lábios em um sussurro rouco, como se tivessem sido arrancadas de dentro de mim.
— Meus filhos... — murmurei, antes de me erguer abruptamente, ignorando a dor que percorria meu corpo. — Preciso sair daqui.
Corri pelo quarto, apanhando o vestido no chão e cobrindo meu corpo rapidamente. O tecido colava na pele úmida, mas eu não tinha tempo para pensar nisso. A fumaça invadia o ambiente, grossa e sufocante. Meus olhos ardiam, cada respiração era um esforço, mas a vontade de sair dali crescia como uma chama própria.
Abri a porta, apenas para me deparar com o corredor tomado pelas chamas. Elas dançavam selvagens, consumindo tudo em seu caminho. Mesmo assim, corri em direção à escada. Cada passo era uma luta contra o calor e o medo. Quando pisei no primeiro degrau, senti a madeira desmoronar sob meu pé. Um grito escapou da minha garganta enquanto eu me agarrava ao corrimão, puxando meu corpo de volta. O degrau havia desaparecido completamente. Voltei correndo para o quarto, o coração disparado, os pulmões queimando com o esforço.
— Não, não, não... — murmurei desesperada, voltando a fechar a porta para tentar impedir, em vão, que as chamas entrassem.
Minha mente corria, buscando uma solução. Lembrei-me de algo que tinha lido em algum lugar e corri para o banheiro. Encharquei a camisa de Miguel esquecida no chão e a pressionei contra o rosto, tentando filtrar o ar pesado e denso. Isso deveria ajudar, certo? Saí do banheiro, ainda com a camisa no rosto, mas o quarto já estava quase todo tomado pela fumaça.
Corri até a janela, a última esperança. Tentei abri-la, mas parecia estar presa. Puxei com todas as forças, sentindo meus braços tremerem com o esforço.
— Abre, por favor! — gritei, as lágrimas misturando-se ao suor em meu rosto. — Por favor, abre!
Forcei mais uma vez, mas era inútil. A janela estava empenada, trancando-me no inferno que o quarto havia se tornado. Xinguei, batendo a mão contra o vidro, desesperada. O calor era insuportável, cada segundo mais sufocante. O ar estava denso, pesado, quase sólido.
Forcei os olhos a ficarem abertos, tentando pensar, mas minha mente parecia envolta na mesma fumaça que agora dominava o quarto. Cada ideia era pesada, lenta, como se estivesse passando por um filtro de desespero e exaustão. Olhei ao redor, buscando uma solução, qualquer coisa que me tirasse dali, mas tudo parecia... inalcançável.
Uma risada amarga escapou da minha garganta, rouca e seca. Ironia. Era isso que aquilo era. Depois de tanto tempo em que a morte parecia me rondar, agora eu queria lutar pela vida? Logo agora, quando meu corpo parecia prestes a desistir, minha mente resolvia gritar que não era hora de parar? Que cruel.
Quando finalmente chegamos ao final da escada, ele saltou primeiro, abrindo os braços para me amparar. Pulei, sem forças para me equilibrar, e caí direto nos braços dele. Por um momento, tudo parou. Meu coração ainda disparava, o calor ainda queimava ao redor, mas estávamos ali, fora do perigo imediato.
Nossos olhos se encontraram, e antes que eu pudesse pensar, seus lábios estavam nos meus. O beijo era desesperado, como se fosse a única maneira de confirmar que estávamos vivos. Era urgente, intenso, carregado de emoções que eu não conseguia decifrar.
Eu me afastei repentinamente, ofegante, buscando desesperadamente por ar enquanto tossia, tentando aliviar a queimação na garganta. Ele segurou meu rosto com cuidado, um sorriso exausto, mas aliviado, curvando seus lábios.
— Quantas mais vezes eu vou precisar te salvar? — ele perguntou, a voz carregada de uma suavidade que eu não esperava.
Olhei para ele, ainda sentindo meu corpo tremer, mas as palavras vieram antes que eu pudesse contê-las.
— Mas não é isso... — minha voz saiu quase como um sussurro. — Sou eu quem deveria estar salvando você.
E então, como uma onda que arrebenta na praia, tudo voltou. As memórias vieram como um turbilhão, me atingindo de uma vez. Eu me lembrava de tudo.

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