A primeira coisa que senti foi o cheiro. Antisséptico, limpo demais, e um leve toque de algo floral. Pisquei os olhos algumas vezes, ajustando a visão embaçada. O teto branco e sem graça me encarava de volta. Confusão tomou conta de mim por um instante. Onde eu estava? Tentei me mexer, mas meu corpo parecia pesado, como se cada célula precisasse de um esforço sobre-humano para reagir.
Foi então que meus olhos pousaram no nome bordado na roupa de cama: Mercy Hospital. Meu coração disparou. O Mercy? Como eu fui parar no hospital mais caro da cidade? Um pânico irracional tomou conta de mim. Eu precisava sair dali, e rápido. Não tinha como pagar por aquilo. Já fazia menção de me levantar quando mãos firmes me empurraram de volta contra o colchão.
— Vai com calma! — A voz de Nicolas soou próxima, e quando olhei para ele, seu semblante carregava preocupação genuína.
— Onde... onde estou? — perguntei, tentando confirmar. Minha voz rouca e fraca, mal reconhecendo o som saindo da minha boca.
— No Mercy Hospital. Você desmaiou pouco depois de saímos do prédio. Eles precisaram realizar uma broncoscopia para remover resíduos de fumaça e te estabilizar. Está tudo bem agora, mas você precisa descansar.
As memórias vieram como um turbilhão: o incêndio, as chamas, o calor insuportável, a fumaça sufocante... E então Nicolas, me puxando pela janela, me carregando, salvando minha vida. E logo depois...
— Teri! — gritei, tentando me levantar mais uma vez.
— Calma! — Ele me segurou novamente. — Sua amiga está bem. Meu primo está cuidando dela. Ninguém se feriu gravemente.
Meu corpo relaxou um pouco, mas a ansiedade ainda tomava conta.
— Quero vê-la.
— Você vai, assim que receber alta. — Ele segurava minha mão, quase como se quisesse me ancorar ali, longe de qualquer pensamento sombrio.
— E quando vai ser isso? — perguntei, tentando manter a calma.
— Logo, logo. Vou avisar os médicos que você acordou para que venham te examinar. — Ele sorriu levemente, tentando me tranquilizar.
Agradeci com um gesto de cabeça, mas, ao contrário do que ele esperava, eu não pedi para que ele ficasse. Pelo contrário.
— Você já pode ir... se quiser. — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, mas a intenção estava ali.
Nicolas riu, um som que parecia misturar ironia e alívio.
— Eu não vou sair do seu lado. — Ele disse com uma firmeza que me pegou de surpresa.
Eram tantas emoções misturadas que nem eu sabia como reagir. Da última vez que acordei em um hospital, meu mundo tinha desmoronado, e ninguém estava lá para segurar os pedaços. Agora, havia Nicolas, mas... minha garganta queimou novamente, e dessa vez, não era culpa da fumaça.
— Você devia estar ao lado da sua esposa — sussurrei, quase sem olhar para ele.
Uma risada nervosa escapou de seus lábios.
— Ayla, você entendeu tudo errado.
— Então você não tem uma esposa? — perguntei, erguendo uma sobrancelha, sem disfarçar meu ceticismo.
Ele hesitou, o que só confirmou o que eu já sabia.
— Tenho. — A palavra soou quase como um sussurro, mas o suficiente para me fazer querer gritar.



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