A luz fraca da madrugada entrava pelas janelas do carro, criando sombras tênues que dançavam nas paredes internas do veículo conforme Nicolas dirigia pelas ruas quase vazias. O silêncio dentro do carro era tão denso quanto a fumaça que eu havia respirado algumas horas antes. Ainda podia sentir o cheiro estéril do hospital impregnado na pele, uma lembrança da minha alta apressada, assinada quase à força porque eu não suportava a ideia de passar mais tempo ali. Tudo parecia surreal.
Eu me sentia estranhamente leve, como se parte do meu corpo ainda estivesse presa em algum lugar entre o pânico e a realidade. Meus dedos acariciavam distraidamente o tecido da calça que Nicolas havia providenciado para mim, uma substituição ao vestido destruído no incêndio. Eu estava grata, mas, ao mesmo tempo, desconfortável. Ele estava tão perto, guiando o carro com uma expressão impassível que contrastava com a tempestade que eu sabia estar crescendo dentro de mim.
— Você não precisa me levar até em casa — murmurei, sabendo que estávamos do outro lado da cidade. — Pode me deixar em algum lugar seguro e eu chamo um Uber.
Ele riu baixinho, mas não tirou os olhos da estrada.
— Primeiro, é de madrugada, nenhum lugar é seguro. E segundo, eu não estou levando você para casa.
Eu o encarei, confusa.
— Como assim? Nicolas, eu preciso ir para casa. Quero ver Teri, saber se ela está bem.
— Exatamente — respondeu ele, um sorriso surgindo no canto de seus lábios. — Estou levando você para onde sua amiga está.
Eu franzi a testa, ainda mais confusa.
— Espera... onde está a Teri?
— Na minha casa.
— Sua casa? — Minha voz soou mais alta do que eu pretendia. — O que a Teri estaria fazendo na sua casa?
Ele suspirou, como se achasse graça da minha falta de entendimento.
— Porque eu tenho um primo que acha que a minha casa também é a dele. — Ele lançou um olhar rápido na minha direção. — E Ricardo achou melhor levar Teri para uma mansão do que para o “cafofo” dele.
Eu não consegui evitar uma risada. A ideia de Teri em uma mansão era, no mínimo, cômica. Era o tipo de coisa que ela tiraria sarro por semanas.
— Ok, isso explica muita coisa — falei, relaxando um pouco. — É bom saber que ela está bem. Obrigada por isso.
— Não tem de quê.
O silêncio voltou por um momento, mas havia algo que eu não conseguia ignorar. Algo que estava martelando na minha mente desde o incêndio.
— Posso perguntar uma coisa? — minha voz saiu hesitante.
— Claro.
— Como você chegou lá tão rápido? — perguntei, encarando-o. — Quero dizer, parecia que o prédio se consumiu em chamas tão rápido. E antes mesmo dos bombeiros chegarem, você já estava lá...
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, a mandíbula tensa. Finalmente, respondeu:



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