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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 84

O relógio da cozinha marcava quase dez da noite quando finalmente terminei de procurar coisas para fazer na casa da minha mãe. O jantar já tinha sido servido, as crianças já dormiam profundamente no quarto que minha mãe preparara para eles, e eu ainda estava tentando absorver tudo.

Minha mãe estava viva.

Meus filhos estavam vivos.

Eu tinha passado horas com eles, contando histórias, ouvindo suas vozes animadas e memorizando cada traço de seus rostinhos enquanto seus olhinhos pesavam de sono. Eu os abracei mais forte do que nunca, e mesmo que Manuela tivesse cochilado primeiro, Heitor permaneceu acordado o suficiente para questionar:

— Você tá estranha, mamãe.

Engoli em seco, afastando os cabelos da testa dele e dando um beijo ali.

— Eu só senti muita saudade de vocês.

Ele bocejou e fechou os olhos, mas não antes de sussurrar:

— A gente se vê amanhã...

Aquelas palavras ficaram presas no meu peito enquanto eu saía do quarto. Eu tinha meus filhos de volta. Mas sabia que aquela felicidade não podia me distrair. Ainda havia muitas peças soltas, e eu precisava entender como e por que tinha voltado no tempo.

E eu estava ali, vivendo uma segunda chance, mas sem saber exatamente o que fazer com ela.

Peguei um pano de prato e comecei a secar os talheres, mais por precisar ocupar as mãos do que por qualquer outro motivo. Foi quando algo chamou minha atenção.

A tatuagem.

O desenho pequeno e discreto ainda estava ali, exatamente no mesmo lugar, no meu pulso.

Franzi a testa, sentindo um arrepio percorrer minha pele.

Aquilo não fazia sentido.

Eu lembrava perfeitamente da noite em que eu e Teri fizemos aquela tatuagem. Mas essa noite nunca aconteceu nessa linha do tempo.

A sensação de vertigem me atingiu como um soco no estômago. Se aquilo estava ali, significava que... o quê?

Abaixei lentamente o pano de prato, passando o dedo sobre o desenho.

Teri.

Minha melhor amiga.

Minha irmã de vida.

Eu não sabia mais nada sobre essa linha do tempo, mas uma coisa parecia óbvia. Se algo sobre minha outra vida tinha vindo comigo, então talvez Teri também lembrasse.

Minha mãe apareceu na porta da cozinha, os cabelos levemente bagunçados, me lançando um olhar de preocupação.

— Ayla, você não vai descansar um pouco?

— Eu preciso sair.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Essa hora?

Meu celular vibrou em cima da mesa, e eu já sabia quem era antes mesmo de olhar. Miguel.

Ignorei, olhando para minha mãe.

— Ele ainda está ligando?

— Sem parar.

Minha mãe suspirou e cruzou os braços.

— Vocês dois estão brigados, não é?

Soltei uma risada curta e amarga.

— Algo assim.

Ela me olhou com atenção, como se procurasse algo nas entrelinhas.

— Você sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser, não é?

Meu peito apertou.

A minha mãe daquela linha do tempo era diferente. Nossa relação nunca tinha sido fácil, mas agora parecia que ela estava disposta a me dar um espaço seguro.

Apenas assenti.

— Eu sei.

Ela não perguntou mais nada. Apenas me deu um beijo na testa antes de se afastar, enquanto eu pegava minha bolsa e saía pela porta.

O Uber me deixou em frente a boate. O letreiro luminoso ainda piscava no topo do prédio, exatamente como eu me lembrava. Mas eu não era mais a mesma mulher que atravessava aquela porta todos os finais de semana.

O som abafado da música vibrava no chão, como um chamado. O cheiro de cigarro e perfume barato se misturava no ar. Aquilo era meu passado.

Ou pelo menos deveria ser.

Definitivamente não seria mais meu futuro.

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