— Comprar esse prédio? Oferecer o dobro do valor? — Teri me olhava como se eu tivesse acabado de sugerir que viajássemos para Marte. — Você é louca! Eu nem tenho esse dinheiro!
— Você tem uma boa parte guardada no colchão, embaixo da cama... — comecei a falar, mas ela logo me interrompeu, os olhos se estreitando.
— Como você sabe disso?
Cruzei os braços e sorri de lado.
— Nós somos melhores amigas há três anos, Teri. E a proposito: isso não é seguro. Guarde em um banco. E vê se me escuta dessa vez!
Ela suspirou, balançando a cabeça, mas o choque já havia se transformado em mera incredulidade. A essa altura, já havia aceitado que eu sabia mais sobre ela do que deveria.
— Tá bom, gênio do futuro, e como você acha que a gente vai conseguir comprar essa espelunca? Eu até tenho algumas economias, mas não chega nem perto do valor que eu imagino que precisaria.
Fazia sentido. Quando Teri estava disposta a comprar o apartamento para nós duas, ela tinha três anos a mais de economias.
— Nós compramos juntas. — Me aproximei, tentando fazê-la enxergar o que eu via. — Nos tornamos sócias. Eu sei que parece loucura agora, mas escuta: essa região vai se valorizar absurdamente nos próximos anos. Esse prédio vai valer uma fortuna e a gente vai poder pedir o que quiser por ele. Mas antes disso, eu quero garantir que todas as pessoas que moram aqui tenham condições de ter uma vida melhor.
Teri estreitou os olhos.
— Então resolveu começar pela dona Marta?
Soltei uma risada.
— No fundo, ela tem um bom coração.
Teri me olhou como se duvidasse, mas riu junto comigo.
O silêncio que se seguiu foi diferente. Um desconforto quase palpável.
Eu o quebrei primeiro:
— Você lembra mesmo de mim? Quero dizer... você sente que me conhece?
Ela mordeu o lábio, pensativa, e então suspirou.
— Mais ou menos. É como se você fosse um... — Ela hesitou, buscando a palavra certa, e eu ergui uma sobrancelha. — Uma assombração inconveniente.
— Uma assombração inconveniente? — repeti.
— Mais ou menos isso. Tipo um fantasma irritante que me persegue em sonhos.
Engoli em seco.
— Em sonhos?
Teri assentiu, o olhar perdido por um instante.
— Sim. Eu tenho sonhos muito reais. Com fragmentos de uma vida que nunca aconteceu. Tipo quando você falou do incêndio mais cedo... Eu já sonhei com isso. E o mais estranho é que era como se eu tivesse vivido aquilo. — Ela riu de leve. — E eu estava com um cliente tão gato naquele momento.
O riso me escapou antes que eu pudesse evitar.
— Ricardo.
Ela arregalou os olhos.
— Ele realmente existe?!

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