Laura
Eu ainda tentava entender o que tinha acabado de acontecer quando Enoch jogou as cobertas para o lado, sentando-se com mais facilidade do que deveria.
"Me deixa te explicar, Laura."
Minha risada saiu curta, nervosa, quase um soluço.
"Existe uma explicação pra isso?" apontei para ele, para o espaço entre nós, para tudo. "Não é possível que haja qualquer explicação pra algo desse jeito. Eu não…"
Ele ergueu a mão, pedindo silêncio, o olhar sério demais.
"Não, você…" respirou fundo, como se escolhesse cada palavra com cuidado. "Você não está errada em estranhar. Nem um pouco."
Meu peito apertou.
"Então não é coisa da minha cabeça."
"Não", respondeu. "Mas não é algo que eu acredite que você vai aceitar com facilidade."
Cruzei os braços, tentando me proteger de algo que eu ainda não conseguia nomear.
"Então comece a falar, quem sabe assim eu entenda." Minha voz falhou. "Por que seus olhos mudam de cor e o que quis dizer com companheira? Isso é alguma gíria de família?"
Ele passou a mão pelos cabelos, inquieto.
"Não… é uma constatação. Quando eu te beijei, eu senti o vínculo. E sei que você sentiu também."
"Vínculo? Que vínculo?" balancei a cabeça, tentando rir daquilo. "Ficar animada ao beijar o cara que eu gosto causa sensações diferentes, Enoch. Ainda mais depois de tudo o que a gente passou."
Ele tentou se mover na cama, como se fosse se levantar, e fui obrigada a me aproximar para impedi-lo.
"Não faz isso."
"É por isso que eu não queria ter essa conversa agora", disse, a voz carregada de tensão. "Eu sei que você vai querer fugir."
Os olhos dele estavam… desesperados.
"Tenta me explicar", pedi, mais baixo. "Eu juro que vou fazer o possível para tentar entender."
Ele sorriu de lado e se apoiou na cama, ficando de pé à minha frente. Sempre me esquecia do quanto ele era alto, do quanto a presença dele ocupava o espaço.
"Eu não sou um humano comum."
A voz saiu baixa, quase envergonhada.
"O que isso quer dizer? Que você não é comum, eu sei a muito tempo." dei uma risadinha, mas isso não aliviou o momento.
Sua mão se estendeu até a minha e eu a segurei.
"E agora que sei que você é minha, ficou um pouco pior de eu receber sua rejeição..."
"Para de falar besteiras."
"Não é besteira. Eu só não mudei ainda para não te assustar, se tivesse feito, talvez já estaria curado."
"Então, você quer me dizer que esse lugar aqui está lotado de pessoas como você. E que os médicos, enfermeiros e tudo mais, são todos lobos?"
"Sim. Pesquisa no G****e o que é um alfa", ele disse com calma demais. "Depois procura por alfa supremo. Sempre vai aparecer ligado a lobos."
Puxei o celular quase por reflexo. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava. Alcateias. Matilhas. Hierarquias. Termos repetidos, teorias antigas, relatos que pareciam absurdos… até que começaram a se encaixar.
Meu coração disparou.
Não era a quantidade de informações que me assustava.
Era o quanto elas pareciam fazer sentido demais.
"Não é possível... mas se fosse real a gente saberia..."
"Meu pai é o Supremo das Américas, ele protege todo o continente para que informações desse tipo não caiam em ouvidos errados. Nós somos protegidos, e meus irmãos... eles os auxiliam, junto com toda a nossa alcateia. Eron está sendo treinado para ser o próximo de nossa linhagem."
"Ah... para isso não é possível. Então você quer dizer que eu posso ter convivido com pessoas que não são só pessoas a minha vida toda... sem saber?" ele concordou dando um passo a frente, mas eu dei um para trás.
"Nosso beijo acabou me fazendo perder o controle. Você é minha destinada, Laura. A pessoa destinada ao meu lobo."
"Eu não acredito nisso. Em nada disso que você está falando." comecei a me afastar, eu precisava sair dali. Precisava achar alguém que fosse racional naquele momento. "Eu preciso de um tempo." segurei a maçaneta e sai o mais rápido possível daquele quarto, antes que a minha sanidade começasse a acreditar naquela fantasia.

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