Laura
Eu não sabia como começar.
Na verdade, eu nem sabia como respirar direito.
Enoch estava ali, parado diante de mim, tão grande que parecia ocupar todo o quarto. Tão presente que até o ar parecia se reorganizar ao redor dele.
Quando ele disse “O que você precisa… para confiar em mim, mesmo sem entender tudo ainda?”, meu coração deu um tropeço tão grande que acho que quase caí sentada.
Eu engoli seco, tentando colocar ordem em pensamentos que nunca tiveram disciplina nenhuma.
"Eu…" Apertei as mãos, sentindo os dedos frios. "Eu preciso… que você me mostre. Mas devagar. Nada… intenso demais. Nada que me faça querer sair correndo."
Um sorriso nasceu no canto da boca dele, lento… como se estivesse saboreando cada palavra minha.
"Devagar eu sei fazer."
A voz dele veio rouca, macia. Perigosa de um jeito que eu sentia na espinha.
Enoch deu um passo na minha direção. Eu senti o impacto da presença dele antes mesmo de perceber que minhas costas tinham roçado contra a parede. Não era ameaça. Era… imã. Tontura boa. Aquele calor que se acumulava no baixo ventre, subindo até o pescoço, deixando minha pele quente.
"Mas antes…" respirei fundo. Ele parou, como se me desse espaço para falar. "A Rubi me explicou algumas coisas. Sobre… companheiros."
O peito dele subiu numa respiração tão forte que o ar pareceu mudar de densidade.
"Ela explicou?" As pupilas dele dilataram um pouco, como se o lobo lá dentro tivesse despertado para aquela conversa.
"Explicou." Coloquei as mãos em seu peito, tentando me proteger, me organizar, qualquer coisa. "E eu… não tenho certeza sobre isso. Ainda não sei o que significa pra mim. Não sei se… quero."
Ele não pareceu ofendido. Nem magoado.
Ao contrário, seu olhar ficou mais intenso, firme, quase agradecido.
Ele se aproximou devagar, como se estivesse prestes a tocar um pássaro arisco.
"Você não precisa ter certeza agora." A voz dele era intensa, pura promessa. "Você pode levar o tempo que quiser. Todo o tempo do mundo. Eu não estou com pressa."
Meu peito se apertou.
"Eu tô falando sério, Enoch. Eu preciso de espaço. De ar. De… entender como tudo isso funciona. Não quero assumir algo tão grande sem certeza. Eu entendi que é importante pra você, mas pra mim ainda é meio surreal."
"Eu não quero que você assuma nada." Ele levantou uma mão, sem me tocar ainda. Os dedos pairavam no ar, quase esbarrando na minha bochecha. "Eu só quero uma chance."
Os olhos dele caíram nos meus.
Aquele olhar… Deus… parecia um toque.
"Uma chance para te mostrar quem eu sou de verdade. Quem eu sou quando não estou sangrando, caçando, protegendo. Quem eu sou quando estou só com você."
Minha respiração falhou, tropeçando como minhas emoções.
"Eu quero…" fiz um gesto vago, sem conseguir formular a frase. "Que seja real. Que não seja só um… instinto de lobo."
O sorriso dele cresceu, quase doce.
"Eu te sinto como homem. Não só como lobo. Eu quero você em todas as versões da minha pele."
Aquilo me acertou como um raio.
Meu corpo inteiro reagiu, uma onda quente subiu das pernas até o rosto.
"Mas deixa eu deixar claro uma coisa antes…" Firmei o olhar no dele. "Eu não quero ser loba."
Ele ergueu o queixo, sem hesitar nem um segundo.
"Eu sei." A mão dele finalmente tocou minha bochecha num gesto tão suave que meu corpo estremeceu. "E eu não quero te mudar. Nem te exigir nada. Você é perfeita assim. Seu cheiro, seu corpo, sua alma. Humana. Toda humana. Eu me apaixonei por você assim."


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