Rubi
Eu percebi desde o primeiro segundo.
O silêncio da Laura não era silêncio.
Era um grito preso, sufocado, arranhando por dentro.
Eu sentia o cheiro da adrenalina dela, quase metálico no ar, como se o medo tivesse cor e textura.
Desde que minha loba despertou, enxergar as pessoas virou algo diferente.
Mais nítido.
Mais cru.
E a Laura… estava quebrando na minha frente.
Ela ficou quieta o caminho inteiro até sua casa. Não piscava direito, não mexia no celular, não respirava fundo. Apenas… existia. Dura, tensa, como se estivesse segurando o próprio mundo para não desabar.
Quando estaciono na porta do prédio dela, ela finalmente solta o ar, e ainda assim parece que vai cair.
"Laura?" chamo baixinho, inclinando o rosto para vê-la melhor.
Ela só balança a cabeça, os olhos fixos no nada, e eu sinto a minha loba se remexendo dentro do peito, inquieta. A vontade de protegê-la lateja forte.
"Vamos entrar", digo, pegando a chave dela antes que ela derrube no chão, porque estava tremendo demais.
Assim que a porta se fecha atrás de nós, a tensão dela parece se multiplicar.
Como se o ar dentro do apartamento fosse sólido demais para respirar.
Eu coloco a mão no ombro dela.
Ela se vira para mim tão rápido que quase tropeça.
"Rubi… eu estou tentando assimilar tudo, mas...”
A voz dela está falha, quebradinha.
"Você tem que concordar comigo que isso parece loucura."
Meu coração aperta.
Então era isso.
"Vamos sentar." Seguro a mão dela e a puxo até o sofá.
Laura senta como se não tivesse certeza se queria fugir ou explodir.
Eu me sento ao lado, de frente para ela.
"Me diz o que está passando em sua cabeça, para eu começar a achar um jeito de te explicar sobre nós."
Ela passa as duas mãos no rosto, como se tentasse arrancar a confusão dali.
"Nem eu sei o que está se passando em minha cabeça. Eu fico repassando as palavras dele. Repassando o que ele me disse, e o que você me disse e nada faz sentido. É como se eu tivesse pegado o livro do Crepúsculo e do Harry Potter e jogado na vida real. Como se aquilo saísse da ficção."
Ela engole seco.
"Eu tô achando que pirei. Que isso é um sonho ou pesadelo, sei lá."
Eu seguro o rosto dela entre as mãos, forçando-a a olhar para mim.
"Eu sei que é difícil acreditar, mas você não pirou, não está dormindo. E eu estou aqui pra te provar."
Os olhos dela se arregalam.
Ela recua um pouco, como se eu tivesse acabado de confirmar o que ela mais temia.
"Então é verdade?" sussurra.
"Vocês são… lobos? Peludos? De quatro patas? " ela pega no meu braço olhando minha pele. "Não tem nada de diferente aqui."
Eu respiro fundo, sentindo minha loba se aquietar, como se entendesse que aquele era o momento.
Deixo um pouco dos pelos aparecerem para ela e ela dá um pulo para trás.
Ela pula para trás.
"QUE PORRA É ESSA?"


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