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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 100

Capítulo 100

Mariana Bazzi

Sara estava diferente. Não sorria, não mudava o tom de voz — mas algo nela estava mais vivo. A raiva parecia canalizada, o olhar mais atento, a postura firme. E, mesmo que não dissesse com palavras, ela havia aceitado me ajudar.

Ainda digeria aquela conversa quando o mordomo apareceu com sua habitual rigidez:

— Senhoras — disse, com um leve inclinar de cabeça. — Valéria chegou. Está com a família na sala de visitas.

O nome me fez ficar mais atenta. Falei ao mordomo para deixá-los entrar, e ele assentiu antes de desaparecer pelo corredor.

Me ajeitei, tentando manter a compostura. Queria estar à altura do papel que Ezequiel tinha me confiado, mesmo que meu coração ainda acelerasse cada vez que ouvia seus passos ou sua voz.

Segundos depois, o som de vozes baixas e risos se aproximou. Quando eles dobraram o corredor, me endireitei sem perceber. Ao lado de Ezequiel e o tenente. Valéria caminhava com a postura elegante e um sorriso afável. Seus cabelos escuros estavam soltos e brilhando, e os olhos castanhos dançavam com uma serenidade encantadora.

Atrás dela, vinham três jovenzinhos.

— Mariana — Ezequiel disse com um aceno breve. — Eles vieram conhecer o Aaron.

— Claro — cumprimentei, estendendo a mão. — Um prazer vê-los novamente .

— O prazer é meu — ela respondeu com um sorriso caloroso. — E você deve ser Sara — completou, voltando-se para minha companhia silenciosa. — Lembro de você.

Sara assentiu com um “olá” contido, cruzando os braços. Mas Valéria manteve a elegância.

— Esses são meus irmãos — disse, fazendo um gesto para os rapazinhos atrás dela. — Esse é Adan.

O primeiro rapaz deu um passo à frente com a ousadia de quem já se considerava adulto, mesmo com o uniforme militar um pouco largo demais no corpo. Sua farda impecável destoava do brilho travesso nos olhos.

— Senhoritas — ele disse, tirando o quepe com um floreio exagerado. — Futuro tenente Adan, a serviço de vocês.

Não consegui segurar um leve riso.

— Que fofo... — deixei escapar, mas ele fechou a cara.

— Não sou fofo. Já sou quase um tenente. — Adan reclamou, e Vinícius agarrou a cintura dele.

— Se comporta tenente. Estamos em terras árabes.

— E esse aqui é Abel — Valéria continuou, empurrando de leve o garoto mais novo para frente. Ele parecia ter uns dez ou doze anos, olhou de relance e logo abaixou os olhos, tímido.

— Oi — disse baixo, quase num sussurro.

— É um prazer, Abel — falei, sorrindo de maneira mais suave. Sara apenas assentiu com a cabeça.

— E essa — Valéria disse, virando-se para trás onde vinha uma menina de mãos dadas com uma senhora de expressão leve — é Joaninha. Minha filha, com a babá.

A garota, de olhos atentos e expressão curiosa, soltou a mão da mulher e caminhou até nós. Tinha aproximadamente a idade de Abel, talvez uns onze. Os cabelos estavam presos em duas tranças grossas, e seu vestido azul claro dava um contraste bonito com a pele dourada pelo sol.

— Olá — disse, com uma firmeza surpreendente para a idade. — Sou Joaninha. Gosto de ler, de cavalos, e sei usar uma arma de ar comprimido.

Adan riu alto. — Isso é verdade. Ela quase me cegou no treino da semana passada.

— Foi acidente! — Joaninha rebateu, ofendida, cruzando os braços. E o tenente precisou conter o Adan de novo.

Valéria prosseguiu:

— E esses aqui… — disse, baixando-se para pegar nos braços dois pequenos — são meus gêmeos: Emanuel e Emily.

As crianças se escondiam atrás da perna de Valéria, observando tudo com aqueles olhinhos grandes e assustados. Emanuel tinha um brinquedo na mão e Emily apertava uma bonequinha contra o peito.

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