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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 101

Capítulo 101

Sara

Mariana se afastou pelo corredor, firme e decidida, e eu fiquei ali por mais alguns instantes, parada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Tanta coisa em tão pouco tempo. Aaron me salvou, Yulssef tentou me matar, e agora Mariana queria que eu ajudasse a formar uma equipe de mulheres para lidar com o trabalho que era de Ezequiel.

Balancei a cabeça, cansada. Eu precisava descansar, e ao mesmo tempo... algo me mantinha alerta.

O som de vozes suaves veio da direção do quarto de Aaron. A porta que Mariana havia encostado não estava mais completamente fechada. Estava entreaberta.

Dei dois passos. Só dois e parei. Eu não sou do tipo que espreita porta dos outros — ou pelo menos, gosto de acreditar que não sou. Mas a curiosidade me puxou como um ímã. Encostei-me à parede ao lado da porta e apenas… ouvi a conversa.

— Você cresceu, Adan! Que língua afiada é essa? — a voz de Aaron estava mais leve do que eu jamais tinha escutado.

— Cresci mesmo, porque se fosse esperar você voltar pra ensinar algo, tava perdido, ainda bem que tenho o tenente — respondeu uma voz jovem e debochada.

Ouvi risadas abafadas. Outras vozes mais graves. E em meio a tudo aquilo, Aaron... Aaron parecia genuinamente feliz.

— A Val disse que você tava ferido, que foi coisa boba. Mas porque sua cara ainda tá feia? — a língua do garoto parecia não ter freio.

— Minha cara sempre foi feia, Adan. Eu só disfarço bem, — ele respondeu com humor. — Essa cicatriz foi o cachorro que fez. Aliás eu queria muito saber como ele está. Alguém deu alguma notícia?

— Eu ouvi Ezequiel comentar que ele está se recuperando. — Tenente comentou. — Ele ficou muito grato por ter defendido seu cachorro.

Mais risos. Até mesmo o som abafado de um tapa carinhoso. Aquilo... me desconcertou.

Aaron não era só o sujeito insolente, provocador, com aquele jeito irritante de sempre querer a última palavra. Não era apenas o homem que eu amarrei numa cadeira, prestes a entregar para os cães de Ezequiel.

Ali dentro, ele era um irmão. Um tio. Um homem que sorria.

Aquele som — a risada dele — era algo que eu nunca tinha escutado. Era quase... bonito.

Por um momento, quis ver. Quis entrar, me sentar ali, fingir que fazia parte daquilo também. Mas que ilusão estúpida.

Eu me afastei da porta antes que alguém me visse. Fui para o outro lado do corredor e me encostei na parede, cruzando os braços sobre o estômago ainda dolorido.

Aaron não era o que parecia ser. Ou talvez fosse, mas também era outras coisas.

Não parecia o mesmo homem que o Don colocou nas minhas mãos com ordens pesadas. Não era o animal que esperavam que eu domasse com tortura. Ele era... mais.

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