Capítulo 107
Mariana Bazzi
Era estranho me ver assim. Não diante do espelho, mas dentro de mim. Eu, que sempre fui acanhada, contida… agora estava aqui, nua diante dele. Mas não era só o corpo que estava exposto — era o meu desejo. E, pela primeira vez, eu não queria escondê-lo.
Ezequiel ainda me olhava como se esperasse alguma hesitação da minha parte, mas ela não veio.
Andou até a cama, me olhando minuciosamente.
Me levantei devagar, os cabelos molhados ainda caindo pelas costas, baguncei com as mãos pra tentar parecer mais sensual e dei dois passos até ele. Senti o calor que seu corpo emitia mesmo sem me tocar. Ele ainda estava parado, mas os olhos gritavam.
— Quero que me deseje como um homem deseja uma mulher. Sem medo de quebrar. Sem aquela delicadeza constante que me faz me sentir como vidro.
Encostei as mãos em seu peito. A camiseta úmida em alguns pontos, como se ele tivesse se molhado só de me ver. Sorri, provocando com os olhos, e deixei meus dedos deslizar até a barra da camisa.
— Você sempre tão cuidadoso comigo... — murmurei, com a voz mais baixa, mais firme. — Mas eu não quero mais só cuidado.
Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso com a ousadia e apertou forte a minha cintura.
— Não quer? — a voz dele tinha peso, mas era arrastada, como se estivesse gostando daquilo.
Balancei a cabeça.
— Quero você de verdade. Não como se eu fosse frágil. Não como se estivesse me fazendo um favor. Se é que me entende... Agora confio em você, não me trás o medo. Não é como os outros homens que me quebraram na vida.
Meus dedos puxaram levemente a camisa dele para cima. Levantou os braços e deixou que eu a tirasse. A pele dele estava quente, os músculos tensos. Senti o arrepio que percorreu minha espinha só de tocá-lo.
Ezequiel passou a língua pelos lábios, como se saboreasse a ideia de se soltar. Como se finalmente me visse — não como a menina quebrada que ele precisava proteger, mas como a mulher que estava ali, pedindo para ser desejada.
Ele sorriu. Um sorriso de canto, quase selvagem. E de repente, como se tivesse guardado aquilo por tempo demais, segurou minha cintura com firmeza, escorregou pela minha bunda e me puxou para ele. Seu corpo colado ao meu, sua boca encontrando a minha com urgência. Nada mais de toques leves.

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