Capítulo 11
Mariana Bazzi
Nem acreditei que ele me levaria até minhas irmãs, Iris e Soraya.
Meu coração batia rápido no peito, eu queria muito vê-las, ficar perto, ver um dos rostos que conheço.
Mas paralisei quando vi tantas luzes brilhando. Era um cassino. Muito maior e mais sofisticado que o do meu pai, e comecei a apertar o banco com os dedos de medo do que aconteceria.
— Elas estão aqui? — perguntei gaguejando quando chegamos.
— Sim. Mas olha pra mim — ergui o rosto e o encarei — Se quer mesmo entrar e ver as duas, terá que confiar em mim. Você confia? — Balancei a cabeça confirmando que sim. Eu não tinha escolha, era tudo ou nada.
— Você as viu? — questionei.
— Sim. Tentei comprar as duas através de meus agentes, mas Iris não quis. Soraya teve medo e preferiu ficar com a irmã.
— Mas porque?
— Olha, diferente de você, elas foram vendidas para um homem que apenas compra dançarinas e mulheres bonitas para atrair clientes no cassino. Parece que são remuneradas de alguma forma.
Fiquei em silêncio tentando entender. Algo estava errado.
— Você vai usar algo meu, se alguém olhar pra você, mostre e te respeitarão como minha.
— Como assim? — ele tirou uma pulseira do bolso.
— Me dê seu pulso — paralisei por alguns segundos. Era difícil pra mim deixar que ele encostasse, mas me esforcei muito, lutei contra mim mesma, e ergui o pulso pra ele.
Seu toque foi suave, mas parecia queimar minha pele. Ezequiel me encarou o tempo todo enquanto colocava e beijou minha mão quando terminou. Soltei dele, em seguida.
— Ninguém ousará te olhar com outros olhos se ver a pulseira. Lembre-se disso. Está preparada?
— Sim — menti.
— Vamos.
Ele desceu do carro e mesmo desesperada fui atrás. O lugar me trazia péssimas lembranças, mas eu só pensava nas minhas irmãs.
Ezequiel foi na frente e seus homens andavam aos arredores, não ficavam perto de mim.
Quando entramos, ele ergueu meu pulso e no susto quis puxar, mas fiquei paralisada quando vi que os homens que olhavam pra mim, imediatamente viravam o rosto ao ver a pulseira. Realmente funcionava.
Cada um que passava saía do meu caminho, da minha vista. Até que encontrei um dos clientes do cassino do meu pai. Ele me olhou com aquele semblante nojento e quando mostrei a pulseira ele demorou pra desviar.
— Yulssef... Resolva isso. — Ele disse para o Consigliere que veio do outro lado e começou a socar o homem, então ninguém mais ousou me olhar.
Me senti mais segura, comecei a andar mais solta e mais perto de Ezequiel que antes.
Quando vi Soraya no palco, ela não me reconheceu imediatamente, mas Iris apareceu do meu lado.
— Mari! É você? — me abraçou imediatamente.
Segurei minha irmã mais velha com força, e meu corpo chegou a amolecer. Ela estava de vestido longo, bem vestida e muito arrumada.

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