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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 12

Capítulo 12

Mariana Bazzi

(Contém gatilhos)

Ao descer do carro, andei pela estradinha até a porta da casa como se minha alma não estivesse no corpo, e realmente acho que não estava.

Vi pessoas passarem por mim, mas nada importava. Eu só olhei e segui o caminho que já havia memorizado para voltar pro quarto.

— Mariana? — ouvi Ezequiel falando atrás de mim e parei antes de subir uma pequena escada — Você está bem? Não me disse nada até agora.

Respirei fundo. Meu corpo todo tremia, eu mal conseguia falar, mas tirei tudo de mim para me virar pra ele.

— Venha até meu quarto — virei novamente e bati parte do corpo na mulher que Ezequiel pediu para que se retirasse durante o almoço.

— Como assim, quarto? Quem você pensa que é para dar ordens pro Don? — ergui o braço e coloquei a mão no seu peito.

— Com licença. Não me lembro de te dever explicação — passei por ela e continuei subindo. Ainda ouvi quando Ezequiel disse:

— Tire uma folga com Raquel. Vá para a outra casa e espere que eu te convide pra voltar, Sara.

— Mas Don...

— Fora Sara! — continuei andando sem olhar pra trás — Mariana espera!

Entrei no quarto que eu já estava e parei no centro. Ezequiel entrou e não consegui olhar pra ele. O simples fato da sua presença me fazia tremer inteira e tive dificuldade em me mover.

— Você está me preocupando. Eu deveria ter pedido pra médica ficar aqui — vi que pegou o celular e fez uma ligação.

— É eu quero que venha imediatamente, ela está trêmula. Sim, tem cinco minutos...

O desespero estava tomando conta de mim. Mas eu lembrei do rosto das minhas irmãs e então tudo voltou a fazer sentido. Eu faria o impossível por elas.

— Ezequiel...

— Sim.

— Fecha a porta, por favor — ele fechou imediatamente, e se aproximou de mim mais um passo. Sua presença chegou a me deixar tonta, mas me mantive firme, mesmo com medo das minhas pernas cederem de tanto tremer.

— Mariana, calma. A doutora vai vir te ver. Você está pálida. Respira, relaxa. Está bem?

Enquanto ele falava comecei a desabotoar a calça e fui puxando pra baixo. — Mariana, o que está fazendo? Para com isso.

Eu mal ouvia, mal o via. Embora meus olhos estivessem abertos eu não conseguia sentir nada além de tremor e náuseas, mas eu seria forte. Tirei completamente a calça.

— Eu sei o que você quer, Ezequiel. Estou bem aqui — tirei a blusinha e joguei no chão. Em seguida comecei a soltar o sutiã.

— Porque está fazendo isso? Como sabe o que eu quero? Eu não disse o que eu queria? — soltei o sutiã no chão e fiquei só de calcinha na sua frente.

— Você viu a situação das minhas irmãs. Só você pode salvá-las. Quero que liberte as duas e envie para um dos seus lugares seguros. Em troca serei sua. Serei sua até que a dívida delas seja paga.

Olhei pra ele e senti meu corpo arrepiar inteiro quando olhei nos seus olhos e ele correu na minha direção, segurou meu corpo como se fosse uma boneca.

— Meu Deus. O que fizeram com você bonequinha? — olhou profundamente pra mim e falou manso — Você entendeu tudo errado, não sou esse homem, meu anjo.

Senti quando dobrou o joelho e colocou meu corpo sobre a cama. Senti sua boca beijando meu rosto e permaneci imóvel.

— O que te faz pensar que faria isso? Eu nunca faria bonequinha — fiquei sem ar quando o vi olhando meu corpo e senti suas mãos nos meus braços. Fechei os olhos bem forte pensando que enfim o tormento começaria — Eu quero nomes, meu anjo. Cada maldito que encostou em você vai conhecer a fúria do verdadeiro nome de Ezequiel. Eu juro.

De repente senti alguns movimentos e que ele colocava algo em cima de mim. Abri os olhos e vi um casaco. Era o casaco dele. Em seguida me cobriu com uma coberta que me agarrei a ela apertando com força.

Só que lembrei dos meus motivos. Soraya e Iris precisavam de mim, não existia mais ninguém por elas, então tentei tirar tudo de cima de mim.

— Eu quero que me tome, mesmo que eu negue, mesmo que eu diga que não, Ezequiel. Não é nada difícil pra você, sei que é meu corpo que quer. Quero que liberte elas. Por favor. Eu imploro, liberte elas, Ezequiel! — ele veio por cima de mim e me cobriu de novo.

— Eu prometo que vou libertar, mas isso não vai te custar nada. Está me ouvindo? Eu não pedi nada disso. Só quero cuidar de você. Me escuta meu anjo.

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