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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 114

Capítulo 114

Ezequiel Costa Júnior

Entramos no carro e dirigi pela avenida principal. Mãos firmes no volante, olhar atento ao retrovisor, a cada brecha, cada farol. Não era paranoia, era hábito.

No banco ao lado, Mariana mantinha os olhos fixos a frente, mas eu sabia que ela não estava só enxergando o caminho. Ela estava revivendo. Cada passo até ali, cada ferida invisível. O lugar para o qual íamos mexia com o emocional dela — e eu sabia o motivo. Foi lá que a tirei das garras do Sidnei. Foi lá que ela quebrou por dentro.

Atrás de nós, outro carro seguia em silêncio. Dois dos meus soldados de confiança, armados e prontos, como tem que ser.

— Está tudo calmo demais. — comentei, diminuindo a marcha antes da curva que levava até a casa. — Nenhuma movimentação estranha. Nenhuma sombra fora do lugar.

— Isso é ruim? — Mariana perguntou sem tirar os olhos da rua.

— Quando se trata de gente como a Soraya… é. Ela não saberia manter a boca fechada nem se tivesse com uma arma engatilhada na testa. Se tá tudo quieto… ou ela mentiu sobre algo, ou alguém mandou ela calar.

Mariana assentiu com um leve movimento de cabeça, mas não comentou. Aquilo era o suficiente. Ela já tinha entendido.

Estacionei a uma casa de distância. O carro de apoio ficou mais atrás. Mariana desceu com a postura reta de quem aprendeu a se blindar. Os olhos varreram a fachada da casa como se fossem mira de fuzil.

— Continua igual — ela comentou, ajustando o coldre na cintura. — O mato cresceu, mas a energia ainda tá ligada.

— Vamos ver até que ponto. — comentei, destravando a trava do casaco e puxando um pouco o tecido pra mostrar que a arma tava ali. Porque entrar em casa de gente falsa é igual entrar em beco desconhecido: pode parecer seguro, mas tem sempre um lixo pronto pra estourar.

A porta se abriu antes mesmo que batêssemos. Iris apareceu sorrindo, limpando as mãos num pano de prato.

— Mari… Ezequiel. Que bom ver vocês. Eu… eu fiz uns pães com o que ainda tinha. Aproveitei as caixas que você comentou. — ela gesticulou, tímida, e apontou com a cabeça para a lateral da sala. — Consegui abrir algumas delas hoje cedo. Tô tentando vender algumas coisas, tirar um trocado. Tem bastante coisa.

— Fez bem. Soraya deveria te ajudar — Mariana respondeu seca, mas não rude. — O que tinha ali era pra isso mesmo.

Iris respirou fundo e balançou a cabeça. Deve saber que Soraya não faria.

Passamos pela sala. Meu olho foi direto para as caixas abertas. Produtos que a mãe dela havia costurado. Camisetas, agasalhos, por aí vai.

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