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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 115

Capítulo 115

Ezequiel Costa Júnior

— Fica aqui com elas. — murmurei para Mariana, meu olhar direcionado pra rua — Cuida da tua irmã, Iris. Eu vou dar uma volta no quarteirão, sentir o ar… ou o cheiro do perigo.

Ela só assentiu, os olhos alertas e os ombros rígidos como quem sabia que eu só dizia isso quando o sangue me avisava que vinha tempestade.

Voltei pro carro. Os dois que estavam no veículo de apoio já tinham ido na frente, seguindo minha ordem. Cruzei a esquina com o motor baixo, quase em ponto morto. Quando virei a última rua, vi: estavam cercando um homem perto da calçada. Bem vestido demais para o bairro, cercado demais pra ser só coincidência.

Estacionei. Saí do carro com passos firmes. Meus homens estavam armados, mas ninguém tinha puxado o gatilho ainda. O estranho mantinha a compostura, mesmo com a tensão no ar. Tenho a impressão de já tê-lo visto.

— Por que estão me segurando? — a voz dele saiu fria, mas calculada. — Eu posso perder a paciência e decidir reagir.

Me aproximei, sentindo o olhar dele pesar sobre mim.

— Acontece que você está na propriedade da família da minha noiva. — respondi, encarando o homem de cima a baixo. — E vai me dizer agora mesmo por que estava observando tanto. O que quer aqui?

Ele arqueou uma sobrancelha, quase com desdém.

— Sua noiva? Então… minha filha está praticamente casada?

O mundo parou por um segundo. Minha mente processou cada sílaba.

— Filha? — soltei, já buscando os traços familiares. — Quem é você?

Ele respirou fundo, firme. Poderia ser Amir, o pai da Mari.

— Me chamo Malcon. E vim atrás da minha filha. O filho da puta do Sidnei matou a minha mulher e está com minha filha. Passei anos pra conseguir encontrá-la. E ao que tudo indica… ela se chama Soraya. Você é noivo da Soraya?

Soraya. Não Mariana.

— Não...

Respirei fundo. O nome do pai da Mariana era Amir, isso eu sabia. O sangue esfriou. Fiz um leve gesto com a cabeça e meus homens o soltaram. Malcon ajeitou a roupa com dignidade, como se não tivesse acabado de ser cercado por um grupo de homens armados. Estava elegante, postura de quem tem dinheiro, poder… e um buraco no peito.

E então ouvi passos. Virei.

Mariana, Iris… e Soraya.

A expressão de Soraya se transformou em confusão. Depois em incredulidade, assim como a Iris.

— Como é? Sidnei não é meu pai? — ela perguntou, quase desafiando o mundo.

Malcon deu um passo adiante, os olhos presos nela.

— Não. Aquele filho da puta te roubou quando ainda estava na barriga da sua mãe. Eu vim te buscar, filha. Você é a Soraya, não é? Faz dias que estou te observando.

Olhei pra Soraya. Tem os traços parecidos com os de Iris e Mariana. É como se aquele filho da puta do Sidnei escolhesse apenas mulheres parecidas.

Ela ficou muda por um instante. Mas seus olhos… seus olhos não estavam no rosto do homem. Estavam no carro que ele dirigia. De relance, ela analisava o couro do banco, a pulseira no braço dele, o relógio de ouro. Soraya era rápida — interesseira demais pra disfarçar por muito tempo. Um sorriso disfarçado apareceu no canto da boca e eu percebi. Ela estava encantada… não pela descoberta, mas pelo que poderia ganhar com ela.

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