Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 118

Capítulo 118

Ezequiel Costa Júnior

Mariana desceu as escadas devagar, o cabelo preso em um rabo de cavalo alto. Observei a correntinha de gota da sua mãe reluzindo na luz quente da sala, e a pulseira que eu mesmo tinha dado presa em seu pulso com uma outra. Me permiti sorrir ao vê-la assim — mais forte, mais consciente do que carrega.

— Pronta? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.

— Sempre — respondeu ela, com aquele brilho determinado nos olhos. — Pensei que iríamos mais tarde.

Nos dirigimos até a entrada. Sara já nos esperava, visivelmente constrangida. Assim que Mariana surgiu ao meu lado, a soldado abaixou levemente a cabeça.

— Senhora... me desculpe. Eu não sabia que agora a senhora estaria à frente de tudo mesmo, mas... — ela respirou fundo — ficarei atenta. Eu e toda a equipe passaremos todas as informações diretamente à senhora a partir de agora. Pode contar comigo.

Mariana arqueou uma sobrancelha, mas respondeu com calma.

— Eu acho ótimo. Porque estou pensando em aumentar a equipe. Gente leal... e preparada. Assim você garante um bom lugar, não é?

Sara assentiu rapidamente. Mariana só virou o rosto, indicando que era hora de irmos.

Sorri sem que ninguém visse.

**

O caminho até o cassino foi silencioso no começo. Eu dirigia, atento ao espelho retrovisor, como sempre. Quando estacionamos na garagem subterrânea, olhei para ela antes de sair.

— Está tudo bem em ficar perto de tantos homens agora?

Ela sorriu de leve, os dedos brincando com a pulseira.

— Bom... eu tenho a pulseira que você me deu, sei que ninguém ousará nada. E também já consigo controlar isso. Vou saber me defender.

— Ótimo — respondi, com um leve aceno de aprovação. — Mas qualquer sinal, qualquer coisa estranha... você olha pra mim e vou saber.

Ela assentiu, e então subimos juntos.

**

Lá em cima, Mauro já nos esperava com os contatos. A sala estava aquecida, lotada de fumaça de charuto e vozes em vários idiomas. O ambiente era denso — como sempre.

Mariana se manteve em pé ao meu lado, altiva, observando tudo. Ninguém ousou desviar o olhar para mais do que alguns segundos. A pulseira em seu pulso era uma marca registrada. Todos ali sabiam o que significava.

Deixei Mauro conduzir a negociação com um grupo vindo do Leste Europeu. Duas moças. Jovens, assustadas, mas em boas condições de saúde, como previsto. Acordamos preço, depois eu lidaria com transporte e documentação.

Tudo parecia dentro do esperado... até que o homem que receberia o pagamento se afastou com o celular no ouvido e voltou com o rosto duro demais.

Mauro fez um sinal aos nossos homens que só a gente compreende. Todos assumiram posições diferentes. Ele é rápido.

Foi quando notei. Gente demais se movendo ao redor. Sinais trocados com os olhos. Mãos deslizando pra debaixo dos casacos. Era o momento de agir.

— Mariana — falei apenas, minha mão indo direto à cintura, onde o coldre oculto aguardava.

Ela entendeu de imediato puxando sua arma.

O primeiro tiro explodiu contra a parede de vidro. Os estilhaços voaram. Mariana se abaixou comigo, rolando pro lado com agilidade surpreendente, enquanto eu puxava a arma e derrubava o primeiro homem que sacou uma submetralhadora. Mauro também começou a atirar, e um dos nossos caiu com um tiro no peito.

— Emboscada! — gritei.

Mariana já estava atrás do balcão, pegando uma pistola reserva, porque a sua já havia descarregado atirando. Atirava para todos os lados, sem hesitar. Matou vários.

O grupo rival — provavelmente gente de fora tentando tomar as meninas à força — se espalhou, mas o estrago estava feito. A confusão dominava o salão.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir