Capítulo 13
Ezequiel Costa Júnior
A porta fechou atrás de mim, mas a raiva... essa ainda estava escancarada no meu peito. Caminhei pelo corredor com o punho fechado, sentindo a pressão subir até meu maxilar. As palavras dela ecoavam na minha mente: "Eu mesma tirei a roupa... tentei negociar com o Don..."
Eu nunca tinha sentido esse tipo de fúria. Não era só ódio, era um veneno queimando por dentro.
Cada roxo no corpo da Mariana era uma lembrança maldita de que eu falhei em protegê-la, demorei para encontrá-la e passou por tudo isso. Quando a vi daquele jeito, naquele quarto, trêmula, tentando me oferecer o próprio corpo em troca de salvação... meu mundo ruiu.
Não era só sobre Mariana. Era sobre todas as vezes que homens como aqueles acharam que podiam comprar, tocar, destruir.
Mal consegui olhar pra ela quando entrei. Seu rosto angelical e ao mesmo tempo triste, amedrontado, me deixavam enlouquecido.
Eu só queria ter certeza que foi naquela porra de cassino do verme que a gerou. Isso foi suficiente.
Olhei pra ela pela última vez e tomei algumas decisões.
Peguei o celular, apertei com tanta força que quase quebrou na minha mão. Liguei direto para o canal de emergência da máfia Zion Triade.
— Reúnam todos. Quero todos aqui. Agora. — Minha voz era grave, seca. Não havia espaço pra dúvida. — Só deixem os que cuidam da casa. Os outros, tragam armas, coletes e veículos. Em vinte minutos partimos.
Desci as escadas sem olhar pra trás, com o casaco dela ainda na mão. Senti o cheiro suave do perfume que grudou no tecido. Engoli em seco e joguei o casaco no banco da sala antes de sair para o pátio.
Ali, fui tomado pela visão dos carros chegando um por um. Homens armados até os dentes, preparados como sempre estiveram, mas hoje… hoje, todos sentiram que não era mais uma missão. Era uma declaração de guerra.
— Aonde vamos, Don? — perguntou César, um dos mais antigos.
— Para o inferno — respondi sem hesitar. — E vamos levar todos os filhos da puta do cassino com a gente.
— Posso ir com você, Don? — Sara perguntou enquanto saía da casa.
— Pode, mas depois não quero te ver perto da Mariana. Vai para a outra casa e assunto encerrado.
— Sim, Don — entrou no carro com Yulssef.
***
A chegada foi digna de quem veio pra deixar um recado. Três caminhonetes negras rasgaram o silêncio da madrugada, os pneus cantando no asfalto da entrada do cassino. Desci primeiro, abrindo a porta com força, vestindo preto da cabeça aos pés, uma pistola na mão e munição sobrando.
Os seguranças da entrada sequer tiveram tempo de reagir. Um deles tentou erguer o rádio, mas foi tarde demais. Um único tiro no joelho, depois outro no ombro.
— Este é o aviso mais leve que alguém vai receber hoje — falei enquanto passava por ele, chutando a porta do cassino — Quero ver essa porra explodir!
Luzes coloridas, música alta, risadas. Era quase um deboche. Um templo de prazer construído em cima da dor dos outros.
Mas o som parou no instante seguinte.
Um tiro pro alto e todos congelaram.
— Ezequiel... Ele enviou vocês? — ouvi alguém sussurrar ao fundo.
— A festa acabou. O velho Ezequiel nos enviou pra acabar com a putaria — minha voz ecoou, cortando o ar como navalha.
Disparei contra a roleta eletrônica só pra ouvir o barulho se calar de vez. Aquele cassino era o palco da dor da Mariana por anos. E agora, seria o palco da destruição.
— Quero todos os funcionários na minha frente. AGORA! — gritei, e os homens começaram a sair dos cantos, tremendo, suando. Alguns tentaram correr.
Erro fatal.
Meus homens estavam por todos os lados. Os tiros ecoaram como trovões, estourando lâmpadas, garrafas, telas, e qualquer escapatória possível.
— A porra dos malditos clientes pro outro lado!
Eu andava no meio da destruição como um homem possuído. Puxei um dos gerentes pela gola da camisa e o joguei contra a parede. O imbecil tentou pegar uma arma minúscula, mas era lerdo demais. Além de pegar, ainda ataquei na sua cara, fazendo voar.
— Quem encostou nela? Quero nomes. Cada um. Quem tocou, quem mandou, quem assistiu. Cada porra de maldito que mexeu com a Mariana!
— E-eu não sei... nós não sabíamos quem era ela... É do Ezequiel?
— Sabiam que era uma mulher indefesa. Sabiam que estavam destruindo uma vida. E sim! Ela é de Ezequiel e quero ver o puto filho da mãe que vai ousar olhar pra ela de novo. Temos ordens para estourar os miolos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir