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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 121

Capítulo 121

Mariana Bazzi

Desde o momento em que entrei naquela casa, algo dentro de mim apertou. Não era medo, tampouco ansiedade comum. Era um tipo de instinto, como se minha alma estivesse diante de uma verdade prestes a se revelar. Malcon falava com calma, com uma firmeza gentil… e por mais que tentasse esconder, havia nos olhos dele um brilho estranho quando olhava para mim.

Durante o jantar, tentei disfarçar o turbilhão de pensamentos. Será que ele poderia ser… meu pai? Teria trocado de nome para se esconder de tudo e de todos? Será que por isso minha mãe só conhece o outro nome? Cada gesto dele, o modo como segurava os talheres, até a maneira de cruzar os braços... Pareciam cópias de mim. Ou eu estou ficando maluca?

E enquanto o silêncio gritava dentro de mim, eu esperava, com o coração aos pulos, que ele dissesse algo. Que se oferecesse para fazer um teste de DNA também comigo.

Mas antes que isso pudesse acontecer, Soraya explodiu ao me ouvir perguntar.

— O que você está querendo? — ela me encarou como se eu fosse uma ameaça. Seus olhos faiscavam com uma raiva fria, quase envenenada. — Vai dizer que quer tomar o meu pai agora? É isso? Quer roubar tudo o que é meu?

— O quê? Eu não falei nada disso. — Rebati.

— É mais tá aí... Colocando coisas na cabeça dele como se pudesse ser você. Ele é "meu" pai! Você já tem Ezequiel, não seja egoísta!

Eu me ajeitei na cadeira, tentando manter a calma, mas ela já estava em pé, com um copo de vinho na mão, os dedos crispados ao redor da taça. Ela não ia simplesmente gritar, ia me atacar aquilo.

— Soraya, pare com isso — Malcon se levantou rápido e segurou o braço dela antes que o vinho voasse sobre mim. Sua voz, firme, impôs respeito. — Isso foi baixo. Não é assim que se trata um convidado.

— Ela não é uma convidada. Ela é uma intrometida! — Soraya gritou, tentando se soltar.

Levantei-me com a cabeça erguida, tentando manter a dignidade, apesar do constrangimento.

— Já estou me retirando — disse, tentando não demonstrar o quanto aquilo me machucava. Se ele é meu pai, eu não sei, mas Soraya estava passando dos limites.

— Não, mas ainda é cedo, nem conversamos direito. Soraya só está agitada. Fiquem mais... — Malcon pediu.

— Não quero ser um problema. Volto outro dia, se ainda for bem-vinda — encarei Soraya por um segundo.

Malcon parecia dividido. Triste, até. Seu olhar correu da filha furiosa até mim com um peso que parecia mais velho que ele próprio. Ele respirou fundo, olhou nos meus olhos como quem hesitava em entregar um segredo.

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