Capítulo 122
Mariana Bazzi
Entrei no carro ainda meio atordoada. Fechei a porta devagar, como se o barulho pudesse quebrar o que ainda restava da minha força. Ezequiel entrou logo em seguida, calado. Por alguns minutos, só ouvimos o motor do carro.
— Mari… — ele falou, me olhando de lado. — Não crie muitas esperanças. Pode ser só coincidência, entende?
Assenti lentamente, mas não consegui responder. Ele me puxou num abraço calmo e silencioso, acariciando meus cabelos enquanto eu sentia seu cheiro bom.
Em casa, todos estavam em silêncio. Antes de subir pro quarto, fui direto até o quarto onde minha mãe estava. Precisava vê-la.
Safira estava acordada, sentada na poltrona de canto com uma manta leve sobre as pernas. Ao lado dela, estava a doutora Samira, nossa médica e agora uma espécie de anjo da guarda.
— Está tudo bem, querida? — Samira perguntou, gentil.
— Só queria ver a minha mãe antes de dormir — respondi, entrando devagar.
— Minha menina… — disse Safira, sorrindo e abrindo os braços. Me aproximei, me aconcheguei no colo dela como fazia quando era criança. Senti o cheiro familiar da pele dela, aquele perfume suave que nunca mudou.
— Você foi até ele? — ela perguntou baixinho, acariciando meus cabelos. Eu já tinha comentado com ela mais cedo sobre o assunto.
— Fui. Mas não consegui perguntar se Malcon é mesmo o nome verdadeiro dele.
— Você acha que ele pode ser…? — Samira murmurou, mas minha mãe fez um sinal sutil com a mão.
— Sim… eu acho. — Respirei fundo. — E... ele parece comigo. Ele disse que sou a cara da Safira, a esposa dele.
O silêncio entre nós ficou denso. Samira parecia conter a respiração.
— Ele é prestativo? Sorridente? — minha mãe perguntou, com a voz trêmula, mas firme. — Era isso que o Amir era. Um homem bom. Mesmo cercado de problemas… ele ainda era bom.
Fechei os olhos.
— Sim. Ele é assim. Tentou impedir a filha de me atacar… e no final da noite, me pediu que voltasse amanhã, sem ela. Ele quer fazer um exame de DNA. Disse que desconfia de algo.
Minha mãe me apertou mais forte.
— Então… eu vou com você — ela suspirou.
— Mãe… — olhei pra ela. — Você ainda está de repouso. E também não é seguro.
— Tenho medo de te perder de novo, filha!
— Isso não vai acontecer. Mesmo que ele seja meu pai e já tenha outra família, você vai ficar comigo.
— Acha que ele tem?
— Não vi ninguém lá hoje, mas...
— Estranho... Eu ainda acho que seu pai foi morto.
— Vamos descobrir...

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