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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 123

Capítulo 123

Sara

A casa ainda estava silenciosa quando saí do meu quarto esta manhã. Vesti um casaco leve por cima da camisola e prendi o cabelo num coque bagunçado. Planejava ir até a cozinha pegar um café, mas parei no meio do caminho.

Aaron vinha do sentido oposto, terminando de vestir a camiseta enquanto caminhava. O tecido ainda não estava totalmente ajustado ao corpo, e por um breve instante — só um — meus olhos demoraram na pele dele. Nos músculos bem definidos. No jeito como os ombros se movimentavam com naturalidade embora ainda em fase de cicatrização. Me obriguei a olhar para cima, disfarçando.

— Já voltou pra ativa? — perguntei, tentando soar casual.

Ele sorriu de canto, ajeitando a barra da camiseta como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Ainda não oficialmente. Vou ver o cachorro agora. Amanhã começo de vez. — Ele me olhou de cima a baixo, com aquele jeito preguiçoso e provocador que só ele tem. — Está acordada tão cedo… ou nem dormiu?

Revirei os olhos, cruzando os braços.

— Dormi sim. Só vim pegar café porque a Mariana começa cedo.

Ele riu, se virando para caminhar.

— Vem comigo ver o cachorro. Anda. Ele já deve estar uivando no quintal.

Suspirei, mas o segui. A verdade é que eu gostava da companhia dele mais do que admitia. No começo, Aaron não me chamava nenhuma atenção porque havia feito muita merda, depois me irritava com aquele jeito seguro demais de si, como se nada o abalasse. Mas ultimamente... ele me fazia rir. Me fazia sentir viva, me deixava excitada.

No jardim, o cachorro pulou em Aaron com alegria, e ele o recebeu com carinho. Fiquei observando os dois, sorrindo sem perceber. Aaron se virou pra mim, ainda agachado, e apontou com o queixo.

— Ele gosta de você. Sabe reconhecer gente de bom coração.

— Ele também já te mordeu três vezes, se não me engano — provoquei, me abaixando ao lado.

— É porque ele não resiste ao meu charme. — Aaron sorriu e olhou pra mim de perto. Perto demais. — Igual a você.

Meu sorriso morreu na mesma hora. Os olhos dele estavam nos meus. O rosto, a centímetros. O calor dele, próximo demais para que eu fingisse que não me afetava.

— Aaron… — murmurei, tentando parecer séria.

— Só um beijo, Sara — ele sussurrou. — Um só. Só pra confirmar o que eu já sei.

— E o que você acha que sabe?

— Que você também quer.

Engoli em seco. Ele estava certo e eu odiava isso.

— Isso é uma péssima ideia — falei, mas sem me afastar.

— As melhores coisas geralmente são.

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