Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 126

Capítulo 126

Mariana Bazzi

Vesti meu casaco preto de corte militar e ajustei os botões pra combinar com a bota. O relógio colado a pulseira que meu pai deu a mamãe no meu pulso, marcava o tempo como um lembrete implacável de que cada segundo contava. Quando olhei pela janela, vi Sara conduzindo os homens até o jardim como ordenado. Ela foi eficiente. Era o que eu esperava. O que eu exigia.

Samira já me aguardava perto do carro conforme pedi. Sempre elegante, mesmo nas horas mais tensas. A doutora podia ser conhecida pelos bons conselhos, mas havia uma frieza em seus olhos que me dizia que ela sabia muito bem como agir em campo.

— Ouvi comentários que você é ótima em ação, doutora. Tenho a impressão que vamos precisar agir hoje. — Avisei.

Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com calma.

— O que aconteceu, Mariana?

Suspirei. Sabia que precisava de controle absoluto sobre aquele momento. A menor hesitação poderia custar vidas — ou pior, nos colocar à mercê de Soraya.

— Minha "meia-irmã" Soraya me convidou pra uma conversa, mas eu não sou idiota. Todos prestem atenção. — Falei alto o suficiente para que os homens escutassem enquanto checavam armas, rádios e carros. — Acho que ela pode ter armado até para o pai dela. Marcou a conversa na casa do Malcon. Suponho que ele esteja em perigo, especialmente se ela tiver descoberto que pode não ser filha dele.

Um silêncio pesado se instalou no ar. Aqueles homens estavam acostumados a obedecer Ezequiel, mas agora... eu era a voz.

— Vamos fazer assim: eu entro com a Samira. Sara, você fica no carro dentro do pátio deles com uma equipe de apoio. Quero quatro carros em pontos estratégicos ao redor da propriedade. Sem brechas. Os rádios precisam estar todos funcionando. O mínimo sinal de confusão e vocês invadem. O alvo de proteção é Malcon. Se algo mudar, eu aviso.

Sara se aproximou, séria, mas com a testa franzida.

— Acha que Malcon está em perigo?

— Tenho quase certeza. — Encarei todos. — Soraya estava estranha na mensagem. Cordial demais, formal demais, fria. Ela pode estar agindo com mais alguém. Talvez até Sidnei, e eu não vou arriscar. Sem riscos, sem stresses, não é?

— A senhora é esperta. Agora entendo porque o Don a escolheu. Nasceu pra isso. — Sara comentou, quase num sussurro admirado.

— Bom, chega de enrolação.

Um soldado se aproximou do carro, com o rádio na mão, hesitando.

— Vou avisar o Don...

Me virei para ele devagar, firme como uma rocha.

— Eu lhe dei essa ordem, soldado?

— Não, mas eu acho...

Me aproximei até ficar cara a cara com ele.

— Você não é pago para achar. Está aqui para obedecer. Agora entre no carro... e vamos.

Ele engoliu seco e assentiu, entrando sem mais questionamentos.

Samira entrou ao meu lado no banco traseiro. Sara, ao volante do carro de apoio, já estava com o rádio ligado e homens posicionados nos pontos que ordenei. A operação era simples: infiltrar, avaliar e, se necessário, eliminar.

Enquanto o carro avançava pelas estradas que levavam até a propriedade de Malcon, minhas mãos estavam firmes. O coração, frio. O sangue, atento. Mesmo que não seja o meu pai é um homem que parece bom. Vale a pena o esforço.

Soraya mexeu com a pessoa errada.

E hoje... ou ela se rende, ou alguém não volta vivo.

O portão abriu devagar. Os carros tomaram posição conforme o planejado, cada um estacionando nos pontos estratégicos da propriedade de Malcon. Sara ficou no carro principal, de olho em todos os ângulos, rádio ligado, olhos atentos. Eu e Samira descemos, caminhando até a porta principal com passos firmes.

Foi Malcon quem abriu. Sozinho com o mordomo.

Aquilo já me fez franzir a testa.

— Onde está a Soraya? — perguntei direto. — Ela marcou comigo.

— Está lá dentro — respondeu, sereno demais para o clima que rondava tudo aquilo. — Entre, por favor.

Troquei um olhar com Samira antes de cruzar a porta. Ela seguiu comigo, silenciosa, mas atenta a cada canto. O interior da casa estava surpreendentemente limpo, como se alguém tivesse preparado para uma visita importante.

Mas não era isso que me preocupava. Era o fato de que só ele estava ali.

Assim que entramos, Malcon fez um gesto cordial para que nos sentássemos na sala, mas permaneci em pé. Eu gostava de ter controle do ambiente. Estar sentada ali, vulnerável? Não era uma opção.

— Ezequiel não veio com você? — ele perguntou, como se estivesse tirando a dúvida mais casual do mundo.

— Não. — Encarei-o firme. — Apenas minha médica e terapeuta, Samira. E minha soldado de confiança, Sara, que está no carro. Tudo entre mulheres hoje.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir