Capítulo 127
Mariana Bazzi
Ele sorriu nervoso, mas era tarde demais pra encenações.
— Calma, Mariana... — murmurou, com uma das mãos se erguendo lentamente.
— Nem mais um passo — avisei, firme, mirando bem no meio da testa dele. — Tá achando que eu sou o quê? Inocente? Boba? Uma dessas esposas de mafiosos que se perdem em decoração e chá das cinco?
O olhar dele desviou por um segundo. Foi o bastante pra tentar me surpreender.
Ele avançou.
Foi rápido. Mais rápido do que eu esperava para um homem da idade dele. Tentou pegar meu pulso, torcer minha mão, só que eu fui mais rápida. Girei o corpo, escapei do alcance e, em um movimento seco e certeiro, chutei a parte de trás do joelho dele. O corpo tombou com o impacto e, em segundos, eu estava por trás dele, puxando o braço para cima em uma alavanca dolorosa. A arma foi direto para a nuca dele, encostada com frieza.
— Aonde está a Soraya?! — rosnei no ouvido dele. — Não vou repetir, não vou falar mais. Aonde está o seu comparsa? Pensou que eu era idiota?!
Ele resfolegou de dor, mas continuava calado. O silêncio dele era um insulto.
— Vai falando se não quiser morrer! — empurrei o cano da arma com mais força contra a cabeça dele. — Eu não caio nessa história de exame, nem nessa baboseira de casa organizada. Você queria que eu viesse sozinha. Me chamar de filha pra amolecer meu coração? Toma distraído! — meti uma coronhada na cabeça dele.
Foi aí que vários passos ecoaram.
Portas foram abertas. A casa, antes tão “tranquila”, se encheu de homens armados, cercando a sala. Pelo menos uma dúzia. O som das armas sendo engatilhadas me fizeram observar ao meu redor.
Eles vinham de todos os lados. Malcon começou a rir.
— Tarde demais, Mariana. Deveria ter descoberto ontem, hoje já é tarde. Ezequiel nem veio com você.
— ERRADO. — respondi, fria como gelo. — Primeiro que tenho você sob minha arma. E segundo... não preciso de Ezequiel pro que vou fazer agora.
Eu chutei Malcon, o fazendo cair sentado. Girei o corpo e comecei a atirar como fiz no treinamento.
Samira entrou pela porta lateral no mesmo segundo. Dois homens se viraram pra ela, mas ela foi mais rápida: deu dois tiros certeiros, um em cada. Ambos caíram sem tempo de reagir. Um terceiro avançou em sua direção, mas ela girou o corpo e deu uma cotovelada que partiu o nariz dele antes de atirar no joelho e imobilizá-lo.
— Eu sabia que ela era boa em ação — murmurei pra mim mesma com um sorriso, Malcon levantou, voltei a chutar seu joelho. Talvez tenha quebrado pelo barulho.
E então... Sara entrou.
A porta dos fundos explodiu. Literalmente. Sara e a equipe de apoio invadiram como um vendaval de guerra. Gritos, tiros, dei ordens com precisão. Os homens de Malcon ficaram desnorteados. Um deles tentou atirar em Samira e caiu com um tiro limpo no ombro disparado por Sara, que não hesitou nem por um segundo.
— Alvo localizado. Equipe dois na retaguarda! — a voz de Sara foi clara, segura e afiada no rádio.
Mantive Malcon sob controle, sua respiração estava ofegante. Não havia mais escapatória.
— Última chance, Malcon. Aonde. Está. A Soraya?! — reforcei cada palavra como uma sentença.

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