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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 128

Capítulo 128

Mariana Bazzi

O som dos gritos ainda ecoava pela casa quando ouvi a voz firme vinda da escada.

— Cheguei a tempo de ver o espetáculo ou perdi a parte mais divertida?

Girei o corpo imediatamente, o coração acelerando — não de emoção, mas de raiva.

Ezequiel estava ali. Frio, calmo... e fora do lugar.

— O que você tá fazendo aqui?! — perguntei incomodada, isso é coisa minha. Não era para Ezequiel vir.

Ele ergueu levemente as mãos, como se estivesse inocente, e olhou para o lado, indicando um dos soldados.

— Um dos seus homens me avisou... disse que você estava em uma situação arriscada.

Meu olhar queimou o soldado que ainda estava em pé próximo à porta. Um garoto jovem, mal treinado, com mais medo no rosto do que sangue nas veias. O mesmo que me disse que avisaria o Don e eu não permiti.

Traidor.

— Essa missão era minha. MINHA! — gritei, avançando até o meio da sala. — Eu planejei, eu executei, eu levaria bala por isso se precisasse. E você... — encarei o soldado —... ousa se meter, ir pelas minhas costas, e trazer Ezequiel?!

— É... — Ele começou a balbuciar uma desculpa qualquer, mas não esperei. Mirei e disparei.

Um tiro seco, certeiro, no meio da testa dele.

O corpo tombou de lado com um baque mudo.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que quase se podia cortar com uma faca. Todos os outros soldados arregalaram os olhos, imóveis.

— Se até Ezequiel disse que agora as regras seriam minhas... — falei, fria, passando o olhar por cada um — quem ousar me trapacear vai morrer. Eu quero uma equipe que eu possa confiar. É simples assim. Alguém mais não concorda? — engatilhei a arma.

Ninguém respondeu, nenhum movimento.

E foi então que ouvi palmas.

Ezequiel bateu palmas devagar, com um sorriso orgulhoso no rosto.

— É isso. Muito bem, meu anjo. Finalmente você entendeu o lugar que tem aqui dentro da Zion. — Ele caminhou até mim com passos calmos. — Agora você é a dama da máfia, Mariana. Deixou de ser uma peça no tabuleiro. Virou a jogadora.

— É que avisei esse soldado. Ele agiu pelas minhas costas.

— Vou organizar o casamento pra próxima semana. Vai ser melhor. Vai deixar tudo mais claro entre os nossos. Vão saber que você fala por mim. E que ninguém ousa ir contra você.

— Não precisa se preocupar. — Minha voz saiu seca, dura.

Eu olhei para os corpos no chão. Um homem com o pé estourado. Outro com um buraco na testa.

— O próximo que tiver dificuldade em entender... eu mesma vou resolver.

Os olhos de Ezequiel brilharam com algo que eu não sabia se era orgulho ou loucura.

— Vai ser um belo casamento.

Ezequiel parou diante de mim, os olhos fixos nos meus, e por um segundo… tudo parou. O sangue no chão, os olhares tensos dos soldados, o cheiro acre de pólvora… tudo pareceu distante.

— Casa comigo na próxima semana, Mariana? — ele disse, com a mesma firmeza com que comandava uma execução. — Aqui. Diante de todos. Me dá a sua palavra.

Meus olhos se arregalaram, mais por surpresa do que qualquer outra coisa. Ele não estava brincando.

— Você aceita? — insistiu. — Aceita ser oficialmente a minha mulher… e a rainha da Zion?

Houve um momento de silêncio. Eu deveria hesitar, mas a verdade é que eu já estava naquele papel fazia tempo. Só agora é que o mundo todo saberia.

Ergui o queixo, firme.

— Sim. Eu aceito.

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