Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 129

Capítulo 129

Ezequiel Costa Júnior

A casa cheirava a sangue, pólvora e sujeira — como deveria. Cada cômodo revirado revelava mais podridão, mais indícios do que aquele Malcon vinha tramando. Mariana estava à frente, como sempre: olhos afiados, mente estratégica, o dedo no gatilho pronto pra resolver qualquer falha. Ela nasceu pra isso. Só demorou a perceber.

Atrás de nós, os soldados limpavam o que restava: corpos, equipamentos, pistas. Samira seguia com Iris, que ainda tremia. Não me importava com isso, sinceramente — minha preocupação era Mariana. Aquele jogo não era só de poder, era de posse. E ela agora era minha.

Vasculhamos a parte debaixo da casa até encontrar uma porta falsa por trás de uma estante. Um dos homens a abriu com uma chave que arrancamos de um dos mortos, e ali estava o que procurávamos: uma sala subterrânea, mal iluminada, com mapas, anotações, telas desconectadas e um notebook ainda aberto. No topo da tela, lia-se: DELUXE.

— Achamos. — murmurei. — Ele estava usando esse lugar pra monitorar tudo. Aqui era a central. Deluxe... essa porra é real.

— Inclusive a gente. — Mariana rosnou. — Esse filho da puta já sabia onde cada uma de nós estaria.

Abri o compartimento ao lado do computador. Vários passaportes falsos. Fotos das meninas. Iris, Mariana, Soraya. Até mesmo Samira.

— Ele já estava se preparando pra sumir com elas e com você.

Mariana franziu o cenho.

— E pra onde ele ia mandar a gente?

— Vamos descobrir agora.

Mariana assentiu, os olhos percorrendo os arquivos digitais.

— Tinha que ser. Sidnei está envolvido, sempre foi um rato sujo, mas bem conectado. Isso aqui... é tráfico humano em alto nível. E a gente estava no catálogo de novo. Estou farta de ser o alvo daquele maldito nojento.

Meu maxilar travou. A ideia de alguém encostar nela, ou nas outras, pra vender como se fossem objetos, me fazia querer trucidar o próximo infeliz que respirasse perto demais.

— Vamos ver o que o Malcon tem a dizer sobre isso — murmurei, frio.

Voltamos à sala onde ele estava detido. Amarrado numa cadeira de ferro, coberto de suor e hematomas. Um soldado tinha dado alguns socos, mas nada que de fato quebrasse o homem. Eu entrei, tirando o paletó, as mangas da camisa arregaçadas, mãos calmas.

— Vai me matar com seu olhar? Vai... me encarar até eu confessar? — ousou.

Sorri.

— Eu poderia. Mas prefiro usar métodos mais... tradicionais. — Olhei para os soldados. — Preparem o alicate. E tragam a serra também. Quero o ambiente bem... educativo.

Ele engoliu seco.

— Vocês estão brincando, né?

— Eu tenho tempo, Malcon. Mas minha paciência é curta. Você vai me dizer agora: qual era o seu plano com Mariana, Iris, Soraya e Samira?

— Vai se foder.

A risada que saiu da minha garganta foi seca, baixa.

— Ótimo! Vai ser do jeito mais difícil.

Caminhei até a bancada, peguei um alicate grande e, sem aviso, quebrei dois dedos dele.

O grito foi imediato. Mariana nem piscou. Samira, ao fundo, apenas observava. Iris estava fora dali — por ordem minha. Ela não precisava ver isso.

— A cada merda que sair da sua boca, vai perder mais uma parte do corpo — falei, sem levantar a voz. — Eu quero saber quem está por trás da Deluxe. E o que você queria com Mariana, com Iris... com Samira e Soraya.

— Você vai me torturar até eu inventar qualquer coisa? — gemeu.

— Não. Eu vou arrancar teu braço e enfiar no teu rabo se desconfiar que mentiu. E só vou parar quando tua espinha estiver exposta. Então decide: quer falar agora e morrer com dignidade ou quer esperar e ver como fodo com seu rabo?

— O quê?! VOCÊ TÁ LOUCO! VOCÊ É MALUCO! — ele esperneou, tentando se soltar. Mas as algemas estavam firmes, os soldados o seguraram.

— Fale agora. Ou vai aprender onde é o limite do inferno.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir