Capítulo 14
Ezequiel Costa Júnior
Amanheci no bar de casa, bebendo e pensando na vida. Tomei um banho e depois fui ver a Mariana. A minha cabeça não está nos melhores dias.
Bati na porta do quarto, quem abriu foi a médica. Contratei para que fique na minha casa e cuide exclusivamente dela, já que parece ter confiado na doutora..
— Como está?
— Melhor.
— Porque fez aquilo? Eu não pedi nada — questionei a doutora Samira.
— Uma mulher com androfobia, pensa que seu corpo é a única coisa que homens querem. Ela não consegue entender de outra forma sem acompanhamento. Elas tem medo absurdo de homem. Existe um transtorno chamado misandria que a mulher tem ódio de homem, são duas coisas diferentes. No transtorno androfobia, ver o homem, ouvir falar nele, pensar até mesmo fotos lhe causam um medo absurdo, irracional mesmo, alguns sintomas como náuseas, tontura, gagueira, tremores, o nível de ansiedade pode até lhe causar perda dos sentidos, dependendo do grau que esteja.
— Quero vê-la — exigi.
— Tudo bem, ela está melhor, e medicada. — Ela abriu a porta e fiquei ali mesmo. Olhando pra Mariana e confesso que me aliviei ao ver seu rosto mais corado.
— Como está meu anjo? Melhorou? — balançou a cabeça assentindo — Vim pessoalmente para dizer que fique preparada. À noite iremos buscar suas irmãs.
— Sério? — vi que se arrumou na cama.
— Sim, vamos deixá-las livres — seus olhos brilharam.
— Mas... — começou a falar, só que de repente meu celular tocou.
— Com licença, um minuto — balançou a cabeça confirmando.
Saí do quarto e fui até o outro. Deixei a porta aberta enquanto atendia. Era a Sara.
— Diga.
— Don, estou na segunda casa e preciso de reforços para essas mulheres do cassino. Algumas não estão querendo ficar, talvez você devesse vir aqui hoje a noite e dar a coordenadas.
— Vou enviar Yulssef. Não sei se terei tempo. Hoje tenho compromisso.
— Ah, entendi. Mas se puder vi...
— Tchau Sara.
Desliguei o celular cortando ela. Foi quando ouvi uma conversa estranha no outro quarto:
— Luciana deixa que eu mesma ajudo a nossa convidada. E não acho que deveria trazer assuntos do Don pra ela — era a médica.
— Mas eu quero saber... O que aconteceu com as meninas? — era Mariana.
— Desculpa, mas eu só disse a verdade. Ela deveria estar orgulhosa, afinal o Don destruiu um estabelecimento por ela. O cassino virou cinzas, só salvou as meninas.
Entrei imediatamente no quarto.
— Que porra é essa Luciana? Quem te autorizou a falar? — questionei, ela se afastou.
— Não pensei que fosse um segredo para Mariana, Don. Mil desculpas.

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