Capítulo 134
Sara
Acordei cedo, saí do quarto e fui direto para a sala de controle. Estava vazia.
O monitor principal ainda mostrava imagens da área externa e de algumas câmeras internas. Tudo rodando, mas nada de Aaron.
Franzi a testa e peguei o rádio no balcão.
— Unidade um, localização do agente Aaron? — perguntei, tentando soar neutra.
Nada. Nenhuma resposta.
Fui até o porão, empurrei a porta e encontrei exatamente o que imaginava.
Aaron estava ali, mangas dobradas, luvas cirúrgicas manchadas de sangue, e os olhos... frios. Quase vazios. Três homens estavam na sala: Malcon, jogado em uma cadeira, respirando com dificuldade; e os dois caras que apreendemos na noite anterior, amarrados, ensanguentados, em péssimo estado.
Um dos soldados entregou uma ferramenta a Aaron, que analisava a peça com calma demais para o gosto de qualquer um com sanidade.
— O comprador os enviou pra testar o Malcon — ele disse sem sequer me olhar. — Com certeza agora ficará mais esperto. E esses idiotas nem sabem quem é. Já fiz de tudo. Pensei em matá-los.
Um dos caras gemeu, o rosto inchado e a boca coberta de sangue.
— Ele... ele nos mandou pra comprar armas... Não sei do que estão falando! — gritou, desesperado.
Me aproximei, analisando as expressões. A dor neles era real. O desespero, também.
Aaron largou a ferramenta com um baque metálico e tirou as luvas. Passou a mão no rosto, respirando fundo.
— Rastreie mais — disse para um dos soldados. — Vasculhem tudo. Redes sociais, contas falsas, qualquer coisa. Quero saber de onde vieram, quem contratou e como chegaram até aqui.
— E depois? — perguntei, em voz baixa, quase sem me dar conta.
Ele virou o rosto lentamente, me encarando com aqueles olhos frios que não pareciam mais os de Aaron.
— Depois elimine.
Ficamos nos encarando por um segundo que pareceu durar uma eternidade.
Eu quis perguntar se ele estava bem. Quis perguntar por que estava me afastando. Quis saber em que momento ele deixou de ser o Aaron que me fazia rir mesmo em meio ao caos.
Mas só balancei a cabeça lentamente.
E saí da sala. Meu orgulho não me permitiria fazer isso.
.
O dia havia sido longo, tenso, e com mais sangue do que eu gostaria de admitir. Quando o telefone tocou, eu já sabia que seria Mariana. Atendi sem muitas cerimônias, e sua voz surgiu firme do outro lado da linha.

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