Capítulo 135
Ezequiel Costa Júnior
A fumaça do meu charuto se elevava em espirais lentas, dançando sobre a mesa de madeira antiga do escritório. À minha frente, mapas, fichas, fotografias, anotações de interceptações e escutas. Todos os caminhos levavam a Malcon — mas nenhum chegava no maldito comprador final.
— Ele está quebrado, sim — falei, encostando o charuto no cinzeiro. — Falando mais do que devia... mas até agora, nada de útil sobre o comprador.
Mauro, recostado com os braços cruzados, soltou um resmungo. Aaron estava tenso, como sempre. Samira analisava as fichas com os olhos apertados, tentando achar padrões nos papéis e nas datas. O silêncio era pesado.
— Mas — continuei, encarando todos — eu tenho uma ideia.
Mariana ergueu os olhos na hora.
— Quem?
— Falcão. — O nome pairou no ar como um tiro abafado. — Esse desgraçado vive às sombras, comprando mulheres em peso... mas nunca consegue arrematar quando compete conosco. Sempre perde porque não paga tanto quanto a Zion. Mas... tem gente dizendo que ele não compra ao acaso. Tem perfil. Gosta de meninas com idades bem específicas. Características também. Isso b**e com o que Malcon andou selecionando antes de ser capturado. Infelizmente ninguém conhece seu rosto.
Mariana franziu a testa.
— Como vamos chegar nele? Com uma isca?
— Isca? — Mauro perguntou, meio cético.
— Isso mesmo. Um dos nossos soldados, alguém discreto, quase invisível no sistema... pode se passar por um atravessador independente. E oferece uma mulher falsa, criada sob medida pras preferências do Falcão. Isso vai chamar atenção — Mariana sugeriu.
Sara soltou um suspiro impaciente.
— Isso é muito arriscado, senhora. Se ele desconfiar, ou se reagir, podemos perder tudo.
— Eu sei, mas precisamos agir. — Mariana rebateu.
Inclinei-me para frente.
— Ela tem razão. E se não for agora, esse sujeito desaparece de novo. E se ele está por trás do interesse por todas as irmãs, temos que agir. Eu mesmo vou cuidar da parte do anúncio. Ninguém vai saber que é uma armadilha.
Mariana assentiu, seus olhos ainda estavam duros, pensativos.
— Se precisar pode dar a minha descrição. — Sugeriu.
— Não exagera. Vou criar um perfil falso.
Ela se levantou e olhou para Sara.
— Tudo bem. — Vem comigo. Hora do treino.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir