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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 137

Capítulo 137

Mariana Bazzi

Antes que eu saísse minha mãe segurou meu braço.

— Eu vi. Seu pai ou o espírito dele. Não sei.

— Amir? Não, mãe. Eu cumprimentei todos. Você deve estar muito cansada. Pensei que tivesse visto o Sidnei. Senta melhor na cama, mãezinha.

— Ele estava na sala, perto da escada... estava lá, me olhando. Com o mesmo rosto, mas outra expressão. O mesmo olhar de antes, só que frio. Não é o mesmo homem. Esse parecia ter saído do inferno. Estou com medo, filha... O que o espírito dele queria?

— Mãe, isso não faz sentido. Ele está morto, descansando.

— Eu sei! — ela gritou, interrompendo. — Eu sei que ele está morto, Mariana. Mas eu vi o vulto! Eu juro por tudo que é mais sagrado. Ele estava ali, de pé... como se me esperasse. Será que vou morrer e Amir veio me buscar? Mas porque me olhava com raiva? Porque estaria bravo?

Meu coração batia tão forte que parecia ecoar nos meus ouvidos. Me sentei ao lado dela, tentando raciocinar, mas tudo em mim tremia.

Foi então que Samira entrou com a mesma calma de sempre, mas os olhos atentos, avaliando cada detalhe da situação.

— Ela precisa descansar. Os treinos podem ter sido demais. Pode ser um episódio dissociativo... Ou até uma memória vívida se misturando com o presente, mas vai ficar tudo bem.

— Você acha que foi coisa da cabeça dela? — perguntei, ainda sem acreditar no que ouvi.

Samira pegou a pressão da minha mãe, e depois preparou algo no fundo do quarto.

— É uma possibilidade, mas vamos medicá-la e acompanhar. Se for um surto isolado, deve passar. Se repetir, teremos que investigar mais.

— Ele estava na sala... Só que perto da escada — repetiu minha mãe, quase num sussurro — Veio me buscar.

Fiquei em silêncio. Porque, no fundo, uma parte de mim também sentiu algo estranho essa noite. Um incômodo que eu ainda não conseguia nomear. Talvez seja a quantidade de homens, talvez minha mãe também não esteja acostumada, pois passou a vida presa naquela casa por Sidnei. Isso deve ter mexido com ela.

Ajoelhei ao lado dela, segurei sua mão e prometi:

— Eu vou descobrir o que você viu, mãe. Seja o que for. Tem câmeras na casa. — Mesmo que isso custasse minha paz.

— Obrigada filha... — segurou firme na minha mão.

— Vou olhar as imagens das câmeras e volto logo — ela assentiu. A deixei com a doutora e desci rapidamente.

Encontrei com Ezequiel e ele veio até a mim.

— Está tudo bem, meu anjo?

— Minha mãe andou vendo coisas. Suspeito que viu o Sidnei aqui dentro e está fazendo confusão que viu Amir.

— Impossível, meu anjo. Nossos homens estão fazendo um trabalho minucioso. Ninguém entrou que não tenha sido convidado. Ela deve estar tendo algum surto.

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