Capítulo 139
Mariana Bazzi
Vi Alexei chegando com a esposa e Mauro, Peter e Katy não vieram, devem ter ficado responsáveis pela nossa casa.
— Mariana, pode deixar. Eu vou na frente, você ficará mais segura cuidando da retaguarda. — Alexei disse, e não gostei muito porque eu poderia facilmente dar conta, mas ele certamente não sabe que andei treinando, e soube que esse russo é muito bom em movimento. Não é a toa que é o Don da Rússia.
— Fique a vontade, Don. — autorizei. Mauro ao ouvir, não abaixou a guarda e seguiu a frente com o casal.
— Fique tranquila, senhora. Vou ajudar em tudo. — Gosto disso nele, toma a frente e protege de qualquer ângulo. Confia desconfiando, sempre. Dificilmente será traído novamente.
Um dos homens adversários avançou, Alexei não pensou duas vezes para praticamente saltar até ele — e então vi o rosto. Era o mesmo homem de branco que esteve na minha casa mais cedo. O mesmo que me encheu de perguntas e levou invertida de Ezequiel. O que estava lá quando mamãe disse ter visto o vulto. O mesmo olhar. Aquilo me congelou.
— FILHO DA PUTA! — Mauro rosnou e o agarrou antes que qualquer um conseguisse reagir — Você estava dentro da casa do Don e agindo pelas costas? — Mauro o desarmou.
Com um movimento brutal, Alexei o prendeu num mata-leão. O corpo do homem se debatia levemente, mas não revidava. Não sacava a arma de Alexei, não procurava outra, não tentava escapar. Era como se… aceitasse.
— Você estava a mesa do Don seu desgraçado! Comeu da sua comida! Conheceu a mulher dele! A mesma que tentou comprar agindo pelas costas — Mauro rugia, e a raiva dele me atingia como uma corrente elétrica. — Seu verme traidor! Ninguém trai o Don dessa maneira.
— É ele mesmo, Mauro! — Aaron garantiu — Tudo está batendo. Agora estou associando. Ele estava frequentando a casa de Ezequiel e se aproveitando disso.
O homem... apenas me olhava, olhava muito. Não para os homens, mas para mim.
— Eu não traí ninguém. Será que dá pra me soltarem? Trabalho para a Zion Triade — o cara falou tranquilamente, como se apenas sentisse um incômodo e pudesse se desprender sozinho se quisesse.
Seus olhos não vacilaram. Mesmo sufocado, mesmo rendido, eles estavam ali: fixos em mim. E algo… algo dentro de mim se revirou. Aqueles olhos... Eram tão familiares.
Não. Não pode ser... Ele parece com as descrições da minha mãe sobre a aparência do meu pai. Mas porque ele estaria intimamente tão diferente? Porque tentaria me comprar? Ele não era pobre?
Meus pés começaram a se mover sem que eu percebesse. Me aproximei, mesmo com todos os homens gritando ordens ao redor, mesmo com armas apontadas. Eu precisava ver de perto. Olhar bem pra ele. Precisava ter certeza.
— Mariana! Fica atrás! — Alexei ordenou, mas eu não parei. Também tenho voz aqui.
— Olha pra mim — sussurrei. — Quem é você? Qual seu verdadeiro nome?
— Mariana se afasta! — Maria Luíza também ordenou, mas não parei.
Ele tossiu, engolindo ar, e finalmente falou. A voz saiu rouca, mas... carregada de algo estranho.

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