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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 140

Capítulo 140

Mariana Bazzi

— Essa é minha casa. Porque considera território inimigo? O que foi que eu fiz, exatamente? Porque seus homens invadiram minha casa. — Senti meus pés se soltando do chão com a resposta de Vlades.

Senti Maria Luíza me segurando.

— Permanece firme, Mari. — olhei pra ela — Eu ouvi o que ele disse, mas pode ser mentira.

— O que está dizendo, porra? Eu te conheço a anos. Se chama Vlades, nunca teve ninguém... — Ezequiel perguntou firme. — Agora vem de conversa porque foi pego? Sidnei também andou te contando sobre o passado da minha mulher? Porque eu não caio nessa! Você vai precisar ser mais esperto. Está lidando com gente grande, seu babaca!

— Era o que eu queria que acreditassem. Só trouxe minha mulher pra casa. Vocês a doparam como se fosse uma louca, e Safira não é. Assim que acordar teremos uma boa conversa.

— Então foi você que sequestrou minha mãe? — perguntei apressada. O homem me olhou novamente.

— Eu só trouxe ela comigo...

— Como posso acreditar em você? Que estamos do mesmo lado?

— De qualquer forma já fico feliz em te ver usando a pulseira que dei pra sua mãe. Ela ficou linda em você... — meu coração acelerou. Ele reconheceu a pulseira? Ou alguém contou isso pra ele?

Porque é tão difícil acreditar? Fiquei muito dividida.

— Onde está Safira? — a voz de Ezequiel cortou o assunto, foi duro e objetivo.

O homem algemado — o homem que deixou a entender ser meu pai — levantou os olhos para mim imediatamente. Nem olhou para Ezequiel. Só pra mim.

— Você é minha filha, vá com Ezequiel ver sua mãe. Eu a coloquei no quarto principal, o maior indo pelo corredor. Acho que deram uma medicação forte pra ela na casa de vocês.

“Filha.”

Essa palavra ainda ecoava dentro de mim como um trovão. Parte de mim queria gritar que ele estava mentindo, que isso era mais uma armadilha. Mas... outra parte. Uma que vinha das lembranças mais íntimas e esquecidas da minha alma, do quanto eu gostaria de ter um pai... confiava.

— Mantenham todos presos! Levem pro galpão. Vou interrogar depois! — Ezequiel ordenou e não me intrometi. Tenho consciência de que posso estar confundindo as coisas.

Não pensei duas vezes. Apenas fui com ele atrás da mamãe. Meus pés correram sem que eu mandasse, como se precisassem chegar antes da razão. Ezequiel permaneceu em silêncio ao lado, com Mauro e Maria Luíza logo atrás. Alexei ficou com Aaron e nossos homens, claro. Ainda havia muito a ser dito. E muito a ser vigiado.

O corredor era longo, silencioso, quase solene. Cada passo fazia meu coração bater mais forte. E cada batida era uma mistura de medo, esperança e dúvida.

Abri a porta indicada e parei.

Por um instante, pensei que tinha entrado num sonho. Ou num palácio. O quarto era imenso. Os móveis antigos tinham um brilho dourado, entalhes perfeitos. O espelho cobria quase toda uma parede. Havia flores frescas nos vasos e uma janela enorme deixava a luz da manhã dourar o chão. A cama... parecia feita de ouro. Literalmente. A cabeceira esculpida, os lençóis macios, e no centro dela, deitada... estava minha mãe.

— Mãe... — minha voz saiu num sussurro involuntário.

Safira dormia profundamente. Os cabelos estavam soltos, caindo sobre o travesseiro. O rosto sereno, com um leve vinco entre as sobrancelhas, como se ainda estivesse presa num pesadelo. Mas estava viva. Estava ali.

Corri até a cama, ajoelhei ao lado e segurei sua mão. Estava morna. Sua respiração era regular, embora levemente arrastada.

— Ela está dopada. — Ezequiel confirmou, se aproximando da cabeceira. — A julgar pelo estado, provavelmente algum ansiolítico forte. Ele não mentiu sobre isso.

— Isso... isso tudo é real? — perguntei olhando para ela, depois para ele. — Ela está mesmo aqui, Ezequiel? Foi ele quem a trouxe?

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