Capítulo 15
Ezequiel Costa Júnior
Levei algum tempo apenas observando Mariana. Cada pequeno gesto dela parecia dizer mais do que as palavras. A forma como me olhava, o esforço que fazia para não se afastar... ela estava tentando. E isso me atingia num lugar que eu nem sabia que ainda estava vivo. Queria poder fazer mais por ela.
Puxei o celular e fiz uma ligação.
— Yulssef, preciso que traga algumas roupas novas para a Mariana. Algo leve, confortável. Ela vai sair comigo hoje.
— Claro, Don. Passo na boutique e levo até aí em menos de uma hora. Mais alguma coisa?
— Só isso mesmo. Obrigado.
Desliguei e um tempo depois fui até a sala, onde Mariana agora mexia em uma flor do vaso sobre a mesa. Era uma imagem quase surreal, como se ela não pertencesse àquele mundo — meu mundo. Mas ao mesmo tempo, algo em mim dizia que ela já era parte disso tudo.
— Gosta das plantas? — seus dedos encostavam suavemente no verde.
— Eu quase não vi raridades como essa durante minha vida. — Ela virou e quando me viu mais perto, imediatamente mudou o semblante, então me afastei. Só que observei que era Yulssef que havia entrado pouco depois e ela viu. Sempre elegante, discreto, imponente. Talvez não fosse eu o motivo do espanto dessa vez.
— Don. — Ele inclinou a cabeça com respeito.
— Obrigado por vir rápido. — Fiz sinal para que ele deixasse as sacolas ali.
— Eu estava praticamente em frente a boutique — comentou ele.
Mas foi então que percebi. Mariana, que até então parecia tranquila, começou a ficar mais inquieta. Sua mão tremeu levemente, o olhar evitava o Consigliere a todo custo. Ela respirava de forma irregular, e logo levou uma das mãos à barriga, como se estivesse enjoada, apoiando a mão na parede.
— Mariana? — perguntei. Ela apenas assentiu, mas sua pele já começava a empalidecer.
Minha mandíbula travou. Como não pensei nisso antes?
— Yulssef, pensando melhor, peça para Luciana levar as roupas depois. Eu havia esquecido que você ainda precisa resolver aquelas pendências na segunda casa. Vá, Yulssef.
— Como preferir, Don — respondeu, sem questionar.
Fiz um leve gesto com a mão e ele entendeu o recado, desaparecendo rapidamente pelos fundos.

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