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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 141

Capítulo 141

Ezequiel Costa Júnior

Voltavamos de carro pra casa. Mari estava sentada ao meu lado, o olhar fixo em algum ponto do nada, com as mãos entrelaçadas como se tentasse manter a si mesma inteira.

Observei-a em silêncio. Ela não estava bem. Confusa, vulnerável. E era exatamente por isso que, a partir daquele momento, eu assumiria o controle de tudo.

— Leve ele para o porão da casa. — ordenei aos homens assim que chegamos. — Quero ele algemado, amarrado e vigiado. Ninguém entra sem minha autorização.

Vlades — ou quem quer que fosse — não disse nada. Apenas me lançou aquele olhar pretensamente calmo, como se ainda tivesse controle da situação, mas isso acabaria logo.

Entramos com Safira primeiro. Mariana seguiu ao lado dela o tempo todo, segurando sua mão, mesmo enquanto os soldados a carregavam com cuidado. Maria Luíza, Samira e Sara já estavam posicionadas no quarto.

— Quero ela monitorada o tempo todo. — disse à doutora. — Qualquer alteração, me chame.

Samira assentiu. Tinha no olhar a mesma dúvida que todos carregávamos: quem era esse homem e por que levava Safira para uma mansão como se fosse dela?

— Certo.

— Verifique também se deram outra medicação pra ela, diferente do que você deu.

— Tudo bem.

— Mariana, meu anjo... Pode ficar tranquila que vou solucionar isso, tá? Fique aqui com sua mãe.

— Tá...

Deixei Mariana lá por alguns minutos. Sabia que ela precisava daquele tempo, mesmo que não dissesse uma palavra.

Encontrei com Peter e Katy na sala.

— Ficou tudo bem por aqui?

— Sim. Mas eu vou ficar do lado externo. Estou com uma sensação de ser observado. Pode ficar tranquilo que aqui fora eu garanto. Inclusive Maicon, nosso Consigliere está chegando. Ele é ótimo também.

— Onde está Alexei e Maria Luíza? — perguntei.

— Subiram arrumar as malas. Já vão descer.

— Ótimo, obrigado. Vou resolver isso.

.

No galpão, Malcon já estava em seu estado usual: preso, sujo, cansado e quebrado. Ainda vivo — por algum motivo que eu nem sabia explicar. Talvez porque ainda não tivesse me dito tudo.

Mas hoje... hoje eu queria todas as respostas.

Os homens abriram a porta e vi que haviam jogado Vlades lá dentro, numa cadeira de aço, frente a frente com Malcon. Eu me mantive em pé. Não havia simpatia na minha postura.

— Vou ser direto. — comecei, cruzando os braços. — Você entrou na minha casa. Levou Safira. Dopou ela, porque tenho certeza disso... E agora aparece com um discurso pronto, tentando me convencer de que é o pai da Mariana? Me poupe!

— Eu não tentei convencer ninguém. Só trouxe minha mulher pra casa. — ele respondeu com a voz firme, como se estivesse dizendo a coisa mais óbvia do mundo. — Nós trabalhamos juntos, Ezequiel. Estamos do mesmo lado, não se esqueça.

Malcon soltou um resmungo abafado. Não era riso, era um tipo de aviso. Um reflexo involuntário de quem sabe que alguém falou demais.

Eu percebi. Me aproximei, ficando entre os dois.

— Trabalham juntos, é isso? Foi você que deu cobertura pra Sidnei sumir? É por isso que conhece tão bem a Safira, Vlades?

— Safira é minha mulher. Foi tirada de mim à força. Por você. Por aquele verme do Sidnei. — Insistiu.

— Está mentindo! Caralho! — meti um soco. — Você nem sabia o nome dela. Nunca mencionou nada. E outra... Fui eu quem salvou Safira. Onde você esteve esse tempo todo?

— Ela é minha mulher. Ela morava comigo há anos atrás. Dormia comigo, comia comigo. Vocês nunca prestaram atenção de verdade. Ela é apagada, triste... porque a vida que ela levava não era boa.

A raiva subiu pelas minhas veias. Eu o agarrei pela gola da camisa, puxando seu rosto contra o meu.

— Você a dopou. Entrou na minha casa, levou uma mulher fragilizada. E agora quer me dizer que é amor? Que ela era sua? Olha o estado que a encontrei!

— Eu a tirei de um inferno.

— Você é o inferno. — rosnei.

Virei-me para Mariana, que acabara de entrar no galpão. Seus olhos estavam escuros de dúvida. Me aproximei e cochichei:

— Mari. — Eu sei que você quer respostas, mas deixa isso comigo. Ele vai falar. Você pode acompanhar, se quiser, mas não interfira. Está vulnerável demais pra isso.

Ela assentiu com um aceno contido, ficando de lado, próxima da porta.

Voltei para Vlades. Peguei o alicate na bandeja metálica e o encarei por um momento.

— Última chance. Por que levou Safira? Está sozinho nessa? Ou Sidnei está envolvido?

Ele me encarou. Sorriu.

— Safira é minha mulher. Eu a amo. Isso é tudo.

Então veio a dor. O estalo do dedo dele sendo esmagado ecoou pelo galpão. Ele gritou.

Mariana fechou os olhos por um instante, mas permaneceu firme.

— Ela também te ama? — perguntei, a voz dura. — Ao menos sabe que você existe? Ou inventou tudo isso?

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