Capítulo 143
Mariana Bazzi
— Não... — murmurei, como se meu corpo se recusasse a aceitar o que meus olhos viam. Eu já não conseguia acreditar.
Foi então que ouvi um som. Um suspiro, um gemido fraco.
— Amir...?
Era minha mãe.
Safira abriu os olhos, ofegante. Piscou algumas vezes como se tentasse emergir de um pesadelo. Olhou em volta, confusa, até que o viu.
— Amir... — repetiu, com lágrimas escorrendo pelos olhos. — É você... é mesmo você...
— Solte, Peter! — Ezequiel ordenou e fiquei parada, sem reação.
O homem — Amir — se ajoelhou devagar, como se também não acreditasse que ela o reconheceria.
— Safira... Até que enfim te encontrei.
Ela estendeu a mão trêmula até tocá-lo no rosto.
— Meu Deus... você voltou...
Eu dei um passo para trás. Um redemoinho me invadia por dentro — raiva, alívio, medo, confusão. Meu coração batia em um ritmo descompassado, e uma parte de mim queria gritar, outra cair de joelhos e chorar.
Peter trocou um olhar tenso comigo, como quem dizia: isso ainda está longe de terminar e eu sabia.
Porque agora, finalmente, a verdade tinha começado a vir à tona. E ela não era simples, nem limpa. Era uma ferida aberta, e ainda sangrava.
— De volta pra quê? — perguntei, firme, sem conseguir mais me calar. Dei um passo à frente, com a garganta travando. — Você sumiu. Você nunca esteve na minha vida. Eu vivi com um monstro e minha mãe foi a sombra dele por anos. Você sabe quantas vezes ela chorou sozinha? Quantas vezes ela pediu desculpa por não conseguir sorrir pra mim? ONDE VOCÊ ESTEVE? ONDE ESTEVE?
— Não foi minha culpa…! — ele gritou, a voz se partindo, suas mãos se movendo. — Sidnei nos destruiu, quase me matou! Eu tentei!

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