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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 146

Capítulo 146

Narrado por Aaron

Luciana estava me arrastando pelo corredor como se eu fosse um experimento de ciúmes prestes a ser testado em laboratório. Um laboratório chamado “Sara”. Ela saiu na frente, com aquele andar provocativo e eu fui atrás, tentando parecer natural, mesmo sentindo que estava prestes a cometer algum crime passional.

— Vai dar certo — ela cochichou. — Confia em mim. É só você agir natural.

— Nada mais natural do que parecer um idiota no meio da missão — murmurei.

Ela me deu um empurrãozinho de leve.

— Cale a boca e finge que me adora.

— Eu te adoro mesmo — brinquei.

— Cala a boca, Aaron!

Ela disse isso em voz alta demais, e um guarda no fim do corredor virou o rosto, assustado. Luciana riu, empolgada, e me puxou pela mão. Eu não sabia onde enfiar a cara.

— Anda logo, soldado — ela sussurrou, puxando meu braço e arrumando minha gola como se fosse minha esposa dedicada.

A sala estava ali, logo à frente. Sara, como Luciana previu, estava sentada no sofá, mexendo em uns papéis com a cara de quem decifra códigos nucleares. Fria, impecável… linda pra cacete.

Quando me viu, ergueu os olhos. Quando viu a Luciana com a mão no meu braço, arregalou um pouco. BINGO. Era quase imperceptível, mas eu vi. Ela notou.

A peste se encostou em mim de propósito. Literalmente se encostou no meu braço e sussurrou:

— Ai, você ficou com o cabelo tão lindo hoje... esse topete. Me dá vontade de amassar você todinho.

Quase engasguei com a própria saliva. Olhei pra ela com cara de “você enlouqueceu?”, mas ela fingia estar apaixonada.

— Luciana...

— Xiu — ela sussurrou de volta. — Deixa eu cuidar de você. Você foi tão corajoso... levou um tiro e continuou lindo. Se fosse comigo, eu estaria descabelada.

Ela pegou minha mão, esfregando os dedos, e disse como se estivéssemos num filme brega:

— Ai... essa mão tão firme e tão quente. Sabe o que me dá vontade?

— Pelo amor de Deus — murmurei impaciente, pensando que deveria sumir dali. Onde estava com a cabeça quando aceitei isso?

Se Ezequiel sair por aquele corredor eu estou morto e enterrado.

— Me dá vontade de deitar no seu peito e ouvir seu coração b**endo. Aposto que b**e forte só por mim.

MEU DEUS. Ela enlouqueceu ou quer me enlouquecer?

Aí foi demais. Olhei pra frente — e encontrei os olhos da Sara. Ela estava olhando diretamente pra nós, com uma expressão que misturava descrença e... ciúmes? Tensão? Raiva?

Não sei, mas estava vermelha. Aquela vermelha silenciosa que antecede o furacão.

Luciana cochichou:

— Viu? Ela tá se roendo por dentro. Agora você me olha e ri, como se eu fosse a coisa mais linda que já viu. Anda!

Fiquei meio sem graça, tentei fazer isso, mas acho que exagerei:

— Nossa, você é... tipo... muito linda, Luciana. Ela rindo bateu no meu ombro:

— Credo, parece que tá lendo um panfleto. Tem que colocar alma! — merda! Um soldado ouviu, chegou a gargalhar.

Luciana não perdeu tempo. Fingiu tropeçar e praticamente caiu no meu colo, soltando um “ai, meu herói” que me fez querer rir. Segurei a onda. Ela se ajeitou, passou a mão no meu peito — isso mesmo, no MEU PEITO — e disse alto o suficiente pra todo mundo ouvir:

— Você precisa descansar, Aaron. Ainda está se recuperando. Deita ali no sofá, vai.

— Não precisa, tô bem — falei, mas ela já me empurrava como uma enfermeira possessiva.

— Cala a boca e obedece, bonitão — ela rebateu, com aquele sorriso debochado.

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